quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Negras, mulheres e mães: lembranças de Olga de Alaketu


BERNARDO, T. Negras, mulheres e mãe: lembranças de Olga de Alaketu. SãoPaulo: EDUC; Rio de Janeiro: Pallas, 2003.

"Na realidade, um dos elementos fundantes da etnicidade é a memória coletiva. Dessa forma, a identidade étnica não aponta para o passado, pois a memória movimenta-se de acordo com o seu tempo reversível. Mais precisamente, a reversibilidade da memória se traduz pela chamada do presente, ida ao passado, retorno ao presente. Assim, se a memória coletiva é viva, a etnicidade também o é, pois se encontra em constante movimentação, apontando para o fututo, como quer Fischer (1986)." [p. 17]
EL.: Neste contexto, a memória foi e continua sendo um elemento importante na manutenção da cultura africana no Brasil, pois é ela que traz o pertencimento com a etnicidade e é representada muito fortemente através dos mitos. Os mitos traduzem essas memórias porque podem ser contados através do tempo, e incitam um retorno às tradições, mas sem sair do presente.

"No entanto, outros fatores socioculturais-econômicos além da tradição oral parecem ser responsáveis pela importância atribuída pela mulher negra à sua memória, especialmente, quando uma delas diz: "Ah! Eu tenho muitas coisas para te contar, a minha vida sempre foi cheia de coisas boas, ruins, importantes... lembro de tudo. Eu que fiz tudo!" (Mulher negra, 70 anos, costureira, 2000)" [p. 33]
EL.: Podemos dizer que a memória, a tradição oral é característica da mulher negra pois ela é e foi autora de suas ações e teve autonomia na sua trajetória; o que percebemos na fala "eu fiz tudo". Diferentemente da mulher branca que apenas viveu submetida aos espaços do homem e com funções à ela impostas.

"É no solo brasileiro que frutificará o candomblé, a terra-mãe como metáfora para os africanos e seus descendentes. Se o candomblé representa a terra-mãe, que, por sua vez, possui os seus significados ligados ao feminino, essa expressão religiosa, ao representá-la, ganha todas as suas significações. É nesse sentido que a grande sacerdotisa do candomblé é chamada de mãe-de-santo." [p. 52]

"Todas essas mudanças são possíveis, também, porque Iansã representa o vento (ar) e tem origem na água. Segundo Mircea Eliade, as águas simbolizam a estabilidade das virtualidades, a matriz de todas as possibilidades da existência. Da mesma forma, entende-se o ar. Nessa perspectiva é que se pode compreender as diferentes formas que Iansã assume, referidas aos diferentes papéis que a mulher negra teve que desempenhar ao longo da sua história, na África e no Brasil, para vencer os obstáculos existentes, para assegurar a manutenção de seu povo." [p. 74]

"Sem dúvida nenhuma, Iroco tem uma raiz tão imensa e tão forte que emociona vê-la. Essa força, que propicia solidez sobre a terra, parece ter a ver com a cultura africana, cujos elementos movimentam-se na subterraneidade das comunidades afetivas, nas redes informais, para não morrer, para permanecer viva." [p. 78]

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Juventude

SPOSITO, Marília Pontes; CARRANO, Paulo César Rodrigues. Juventude e políticas públicas no Brasil. Rev. Bras. Educ. n. 24 Rio de Janeiro set. / dez. 2003.

Dito de outra forma, a conformação das ações e programas públicos não sofre apenas os efeitos de concepções, mas pode, ao contrário, provocar modulações nas imagens dominantes que a sociedade constrói sobre seus sujeitos jovens. Assim, as políticas públicas de juventude não seriam apenas o retrato passivo de formas dominantes de conceber a condição juvenil, mas poderiam agir, ativamente, na produção de novas representações. (p.2)

V.L. Os programas de políticas públicas a princípio poderiam realizar significaticas trasnformações se não em sua maioria, tivesse por intencioalidade um não compremetimento e nenhuma verdadeira vontade de mudança. Dessa forma, se constrói caminhos importantes para a juventude mas, não há uma efetiva realização propiciando cada vez mais, a falta de oportunidades e de confiança.

Juventude

FREITAS, Maria Virgínia de; PAPA, Fernanda de CArvalho; (org.) Políticas públicas: juventude em pauta. São Paulo.Cortez: Ação Educativa Assessoria, Pesquisa e Informação: Fundação Friedrich Ebert, 2003.

Projetos socias difiridos aos jovens tornan-se pontes para um determinado tipo de inclusão social, para jovens moradores de certas áreas marcadas pela pobreza e pela violência das cidades. Contudo, é preciso refeltir sobre os efeitos socias qe nem sempre são analizados... (p.124)

V.L. De que nós adianta estarmos inseridos numa sociedade como alienados, sem procurar perceber os reais meios que estão por trás desses inúmeros projetos aparentemente salvadores. Políticas assinstencialistas são criadas como "tapar o sol com a peneira", preocupa-se com a teoria, com que palavras são formadas para fazer valer determinado projeto mas, não se visa a prática e muito menos se procura entender e ouvir os jovens.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Juventude

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

" ... Enquanto necessidade ontológica a esperança precisa de prática para tornar-se concretude histórica. É por isso que não há esperança na pura espera, nem tampouco se alcança o que se espera na espera pura, que vira, assim, espera vã ..." p. 11

V.L. Pensar na juventude e nos preconceitos que a remetem é ir muito mais além do que uma simples reflexão, é tentar construir de uma forma prática, concreta caminhos que possibilitem a expressão desses jovens. Assim, ter esperança é um dos primeiros passos para se construir oportunidades melhores mas, de nada nos adianta se não utilizarmos nossas "armas" em prol de algo positivo.
Podemos dizer que não existe teoria sem prática e vice - versa ou seja, saber dos problemas sociais que envolvem o jovem da Baixada mesmo sendo isso de grande valia, não se torna o principal caminho para uma possível transformação é necessário, ir até esse jovem, querer encontrá-lo, saber de suas preocupações e sonhos.

sábado, 28 de junho de 2008

Juventude

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à ´prática edeucativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

" A ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta noundo. Com ares de pós - modernidade, insiste em convercernos de que nada podemos contra a realidade socialque de histórica e cultural, passa a ser ou a virar "quase natural". Frases como "a realidade é assim mesmo, que podemos fazer?" ou "o desemprego no mundo é uma fatalidade do fim do século" expressam bem o fatalismo desta ideologia e sua indiscutível vontade imobilizadora." (FREIRE, 1996, P. 19 - 20)

V.L Atualmente, vivemos num mundo onde se tem por intenção mascarar caminhos que alienam, que destorcem a realidade. Pois, como a sociedade sendo manipulada pelas mãos de poderosos conseguiria se manter no poder com cidadãos críticos, autônomos? Ou seja, pessoas que lutam pelos seus direitos, por uma igualdade justa e não utópica não são metas ao qual, nosso sistema deseja alcançar. Dessa forma, a fatalidade é o principal viés para que a classe menos favorecida e subordinada as pressões de seu meio, não se oponham e aceitem de maneira passiva o preconceito, a discriminação. Dentro de alguns exemplos, podemos citar o jovem.
A juventude é uma amostra perfeita, para esse virar "quase antural" pois, acreditar no não reconhecimento do jovem como potencializador, independente é pensar que o mesmo, é rebelde e o adoslescente se torna o "aborrecente" quando apontado pela família, professores.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Xirê! O modo de crer e de viver no camdomblé

AMARAL, R. Xirê! O modo de crer e de viver no camdomblé. Rio de Janeiro: Pallas, São Paulo: Educ, 2002.

Mídia

R.L. O processo de midiatização traz novas abordagens no que se refere à construção de identidades e culturas. A sociedade contemporânea está imersa em um espaço midiatizado, envolta pelas novas tecnologias. Assim, com a propagação das esferas virtuais, a comunicação deixa de ser centralizada e unidirecional "passagem da comunicação de massa" e passa a ser transformada pelas redes digitais, a internet "comunicação virtual". Portanto, as mídias através dos discursos e dos aparatos tecnológicos, vão produzindo novos sentidos sociais.

Resta ainda a crítica a impessoalidade e superficialidade nas relações sociais urbanas. Para entender esse aspecto é preciso dar conta de quem é e como vive o habitante da cidade. É possível dizer que ele se define pela experiência resultante de sua atuação nas várias esferas da vida social: no trabalho, na família, na escola, na rede de vizinhança, nas associações religiosas e de lazer, nas instituições políticas, etc. (AMARAL, 2002, p. 16-17).

Assim tais características multidimensionais dos sujeitos sociais, são representadas pelas mídias, existindo uma relação de proximidade e de identificação dos leitores e dos espectadores, por isso na construção de notícias há a necessidade de ressaltar nos fatos particularidades do cotidiano das pessoas.
No entanto, tais informações não favorecem um olhar crítico, pelo contrário tendem a formatar sujeitos, gostos e comportamentos. Desta forma na sociedade contemporânea as relações sociais são compreendidas de maneira superficial e efêmero.


Educação

D.M. O sujeito é constituído com valores familiares, religiosos, sociológicos, antropológicos, históricos, biológicos, enfim, Vygotsky diz que o sujeito é uma teia de interações, e é essa teia que o homem da cidade é construído e o processo de moldá-lo é através da educação.
A escola tem (ou deveria ter) o intuito de viabilizar e direcionar os sujeitos às práticas sociais, mas ela também traz o intuito, como diria Foucault, de controlar, classificar e naturalizar certos conceitos, formando o homem utilitário que a cidade precisa.
A escola através do seu discurso nomeia, demarca, estigmatiza, hierarquiza, ou seja, ela privilegia marcando a diferença do outro. Como o negro e todo seu processo histórico de luta e de religiosidade não é transmitido de maneira sincera e verídica. A escola não dar conta do pluralismo existente porque não é de interesse, estar reavisando o processo histórico do negro no Brasil.
Portanto, com as idas ao terreiro e das entrevistas realizadas, fica clara a noção de grupo que o texto expressa. Assim, a partir das perspectivas de Rey a respeito da subjetividade social e individual, o sujeito atua em várias instâncias da sociedade e ele se configurará em seus respectivos grupos. A religião afro-brasileira tem seu espaço próprio, vestimenta, comidas típicas todo um significado de coisas que caracteriza esse grupo e ao mesmo tempo são trabalhadores, estudantes, assim sendo, convivem em outros grupos sociais.
Esses grupos se encontram também nas escolas, mas normalmente eles não são percebidos porque a escola propõe um currículo, onde a ideologia e a cultura do cotidiano escolar reproduz as relações de poder.
Nas entrevistas realizadas fica evidente o preconceito quanto a religião afro-brasileira, o que faz com que o jovem omita sua religião, isso porque a escola através de seus conteúdos cristalizados e do discurso utilizado favorece as desigualdades e pontua as diferenças.
Uma fala dos entrevistados chama a atenção que “no candomblé se ensina regras de vida”, Amaral quando aborda os estilos de vida, fala de uma vivência de mundo, de estilo, de escolhas, de regras diferente da judaico-cristã a qual é predominante nas instituições educacionais, o que faz com que esses jovens não sejam reconhecidos e identificados.
A cultura afro-brasileira tem toda uma filosofia de vida a partir dos mitos, possibilitando uma dinâmica educativa que gera conhecimento e aprendizado. E é nesse estilo de vida que se tem noção de respeito, comunidade, do lidar com a natureza e sua postura ética.
Não é preciso ser da religião para ver as possibilidades de compreensão de mundo. Basta apenas estar disposto a conhecê-los e apreciá-los, um mundo colorido, mágico e sensual que a África oferece.

Mulher

EL.: Ao Candomblé (e demais religiões de matriz afro-brasileira), entendido aqui como um grupo com características próprias e que, ainda assim, compartilham experiências em outros grupos, compreende um certo poder aglutinador, que une o "povo de santo" porque atravessa muitas esferas da vida do sujeito, o que culmina num corte que o divide em antes e depois do candomblé. Essa força que junta os sujeitos em uma comunidade com um estilo próprio de vida vem, em grande parte, das mãos da mulher negra que soube receber e cuidar de indivíduos quaisquer que chegavam aos terreiros, aonde é chefe, pollítica, mãe, educadora, cozinheira e sacerdotisa, entre outros.

"Os terreiros de candomblé, independentemente de sua filiação ou localização, recebem pessoas que são integradas à religião e à sua hierarquia por meio do processo de iniciação (que é particular e individualizado), o qual vincula os adeptos pelo "parentesco mítico" da "família de santo"" (AMARAL, 2002, p. 25)

A figura da mãe-de-santo, a mãe que acolhe e dá apoio aos seus filhos - todos os integrantes da família de santo - é também provida de autoridade e respeito, o que envolve a comunidade numa esfera afetiva que os liga de maneira concreta à religião afro-brasileira (a afetividade, que está intrínsecamente presente nas escolhas feitas por estes indivíduos) e que, acaba ligando os adeptos à religião aos diversos âmbitos que lhe são característicos, como vestuário, lugares frequentados ou vocabulário. A mulher é tida então, como a veia condutora de todo esse processo, pois conduz os sujeitos na aquisição do estilo de vida do candomblé; não somente na figura da mãe-de-santo, pois a mulher habita diversos outros espaços dentro do terreiro, como cozinheira ou ekéde*, por exemplo. Em todos esses outros espaços, a mulher representa ainda uma "mãe" para um iniciado, pois no candomblé, se respeita a ancestralidade e assim, o tempo de iniciado é o que define a hierarquia dentro do terreiro.
Sendo assim, devemos destacar que o papel da mulher dentro de um terreiro e da feminilidade dentro da mitologia africana, de forma geral, são fatores constitutivos da cultura afro-brasileira e portanto, movimentos complexos da sociedade que devem ser levados em consideração.

*
Ekéde: Ebômim do sexo feminino que não incorpora orixá. Ela tem como função auxiliar o orixá, dançar com ele, vestí-lo, enxugar seu suor durante a dança (por isso que trazem sempre uma toalha no ombro), etc. Geralmente é escolhida pelo próprio orixá incorporado, numa festa pública.

domingo, 15 de junho de 2008

Educação e Identidade Negra




BRITO, Â. M. B. B. de; CORREIA, R. L. L. S. ; SANTANA, M. M. (Org.). Kulé-Kulé: Educação e Identidade Negra. Maceió: Edufal, 2004.


“Pensar a relação entre educação e identidade negra nos desfia a construir, juntos, uma pedagogia da diversidade, além de nos aproximarmos do universo simbólico e material que é a cultura, somos desafiados a encarar as questões políticas. Torna-se imprescindível afirmar que, durante anos, a sociedade brasileira e a escola distorceram e ocultaram a real participação do negro na produção histórica, econômica e cultural do Brasil, e, sobretudo, questionar os motivos de tal distorção e de tal ocultação”. (p. 13)

D.M.: A escola é um lugar onde os discursos produzidos reforçam as desigualdades sociais e culturais. Tanto nos conteúdos de história e nos livros didáticos são exemplos claros, de que o negro é visto, é falado e transmitido apenas como escravo, ele não se reconhece e não se identifica porque o seu processo histórico de luta, de cultura e de conquistas não é citado. É aí que a escola reforça sua diferença mantendo o preconceito e a exclusão.

sábado, 14 de junho de 2008

Juventude

DAYRELL, Juarez. A escola "faz" as juventudes? Reflexões em torno da socialização juvenil. Educ. Soc., Out. 2007, vol. 28, n. 100, p. 1105 - 1128. ISSN 0101-7330

" ... Assim existe uma dupla dimensão presente quando falamos em condição juvenil. Refere-se ao modo como uma sociedade constitui e atribui significado a esse momento do ciclo da vida, no contexto de uma dimensão histórico - geracional, mas também à sua situação, ou seja, o modo como tal condição é vivida a partir dos diversos recortes referidos às diferenças sociais - classe, gênero, etnia etc." p. 2

V.L. O jovem da Baixada Fluminense, fazendo parte de um grupo mais amplo, possui sua "condição juvenil" que, pelo processo histórico é visto como delinquente social e alienado. Mas, que frente à seu meio social é uma pessoa comum que erra, acerta, possui anseios, medos como qualquer outro ser, que se defronta com essa sociedade massificadora e excludente.




" Todavia, com todos os limites dados pelo lugar social que ocupam, não podemos esquecer o aparente óbvio: eles são jovens, amam, sofrem, divertem-se, pensam a respeito das suas condições e de suas experiências de vida, posicionam-se diante dela, possuem desejos e propostas de melhorias de vida ..." p. 3


V.L. O que é óbvio para uns, não são para outros e nisso inclui esse aparente óbvio apresentado pelo autor Dayrell, devemos ter cautela ao determinar algo. Pois, se fosse tão trivial aceitar esse pensamento do jovem com essas características de meros mortais, não existiria forças que tentam a todo momento conduzir cada vez mais, a massa para a certeza de que esses jovens são "sementes do mal", por mais que saibamos da capacidade dessa juventude de estabelecer metas construtivas para a sua vida.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A pesquisa na Bahia sobre os afro-brasileiros

A pesquisa na Bahia sobre os afro-brasileiros
Entrevista de Waldir Freitas Oliveira
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000100012

"Mas, naquela ocasião, aconteceu a descolonização, a transformação das colônias africanas em países independentes e ganharam relevo a negritude e o movimento black nos Estados Unidos. O negro baiano começou a sentir-se como um grupo, que passou a ter orgulho da sua condição de negro, mas também a se considerar espoliado pela sociedade branca do passado. Foi quando começou a ganhar força, na Bahia, um preconceito às avessas, um preconceito do preto contra o branco, chegando a se pôr em questão a legitimidade de um branco, como eu, ser o diretor do CEAO. Achavam que, por ser ele uma instituição de estudos africanistas, deveria ser dirigida por um negro.

A criação dos grupos carnavalescos
ESTUDOS AVANÇADOS – Professor, em que ano foi fundado o Centro?
Waldir Freitas de Oliveira – Em 1959 e fui diretor do CEAO de 1961 a 1972. Em 1972 já havia essa insatisfação do preto contra o branco. Logo depois começaram a surgir na Bahia grupos carnavalescos exclusivamente de negros. E foi por meio do carnaval que essa intolerância negra contra o branco se fortaleceu, pois surgiram blocos que não aceitavam a inclusão de elementos brancos. Lembrando, no entanto, que antes disso era comum, em Salvador, a existência de
blocos de brancos que não aceitavam negros. Na opinião desses novos blocos negros, eles deveriam ser exclusivamente de negros, por desejarem mostrar que o negro é capaz de fazer, sozinho, alguma coisa tão importante quanto o branco. Queriam, assim, também, valorizar sua própria cultura e rejeitar uma outra que lhes havia sido imposta.
ESTUDOS AVANÇADOS – Esse comportamento continua atualmente?
Waldir Freitas Oliveira – Esses blocos continuam rejeitando a presença dos brancos, afirmando que existe um carnaval negro, independente do carnaval baiano. Mas Os Filhos de Gandhi é, no entanto, um clube no qual nunca houve, de modo declarado, esse preconceito, porque dele participam, até hoje, brancos e pretos. Todavia, essa não é a posição do Ilê Ayê, do Malê Debalê ou do Olodum. Este último, contudo, recentemente, mudou um pouco essa prática, porque descobriu um caminho comercial novo, com menos intransigência, para vender seu
produto. A partir desse viés comercial, passaram a admitir também elementos brancos nas suas fileiras, porque se não os aceitassem, estariam perdendo mercado. Mas o Ilê Aiê e um outro bloco, o Malê Debalê, não sei se alguns outros mais, não admitem a presença de brancos nas suas fileiras. Justificam essa atitude dizendo que estão valorizando seu passado cultural. Com isso passou a existir, na Bahia, talvez como no passado, um carnaval essencialmente negro, como elemento isolado dentro do conjunto do carnaval baiano. Esse preconceito do negro contra o branco encontra, naturalmente, defensores que agora caminham no sentido de apoiar a tese da reparação, a exigirem que a sociedade brasileira pague à população negra atual os prejuízos sofridos pelos negros no passado."

EL.: Vimos então, que, assim como o preconceito ao negro, existe ainda um movimento contrário que é o preconceito do negro com o branco, constituído também sócio-históricamente, nos contextos das lutas pelos interesses dos negros. Entretanto, esta é uma postura equivocada que devemos evitar, pois alimenta a manutenção dos preconceitos, ao invés de combatê-los.

domingo, 25 de maio de 2008

Mídias: Imagens, Textos e Contextos

O senso comum, obviamente nem singular nem inconteste, é por onde devemos começar. O senso comum, tanto expressão como precondição da experiência. O senso comum, compartilhado ou ao menos compartilhável e medida, muitas vezes invisível, de quase todas as coisas. A mídia depende do senso comum. Ela o reproduz, recorre a ele, mas também o explora e distorce (...). (SILVERSTONE, 2002, p. 21).
R.L. Partindo do princípio que a sociedade humana é uma instituição da linguagem. Os meios de comunicação se utilizam principalmente de dois tipos de linguagens a audiovisual e a escrita. No entanto, o jornalismo, não deve prender-se simplesmente a transferência de conteúdo, focado muitas das vezes nas aparências mais comum. Sendo assim a imprensa deve ir mais além, no sentido que na temática de uma pauta jornalística deva existir um processo de reconhecimento, até mesmo porque como toda comunicação, ela é imagem, texto e contexto.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Mitologia dos Orixás

PRANDI, R. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.



"Esse novo segmento, que em geral associa culturalmente religião com a palavra escrita, encontrou nos mitos explicações e sentidos para as práticas e concepções do condomblé, descobrindo que o mito está impregnado nos objetos rituais, nas cantigas, nas cores e desenhos das roupas e colares, nos rituais secretos de iniciação, nas danças e na própria arquitetura dos templos e, marcadamente, nos arquétipos ou modelos de comportamento do filho-de-santo, que recordam no cotidiano as características e aventuras míticas do orixá do qual se crê descender o filho humano." [p. 19]

EL.: na concepção da tradição religiosa africana, uma característica que a distingue em grande parte, é o fato de sua mitologia estar presente em todas as esferas que constituem a religião. Os mitos são passados oralmente mas, muitas vezes, é utilizada uma linguagem que não é verbal e nem oral e que está presente nos aspectos que se percebem visualmente, e que funcionam como alegorias. Além dessa linguagem, existe nas danças uma linguagem corporal que, em conjunto com todos os outros elementos da religião de matriz africana, é eficaz na trasmissão dos mitos.


segunda-feira, 14 de abril de 2008

Juventude

MINAYO, M. C. S. et al. Fala galera: juventude, violência e cidadania na Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond, 1999

" O cidadão é ao mesmo tempo um personagem do mundo moderno e um papel social que se realiza e se reatualiza enquanto o sujeito exerce seus direitos e obrigações, como indivíduo e ator social ..." p. 191

"Liberdade de ir e vir, de escolher onde morar, onde trabalhar e a possibilidade de livre expressão foram os primeiros direitos reconhecidos, contrapondo-se à submissão medieval das diferentes classes de pessoas a uma ordem feudal hierárquica, corporativista e localista..." p. 191-192

V.L Décadas se passaram dos acontecimentos e questionamentos da era medieval ou a tão repressora ordem feudal. Mas, o que se parece é que o homem, a sociedade sonhando com o tal avanço tecnólogico e consequentemente social estagnou com relação a alguns pensamentos. Por mais, que seja legal o cidadão ter o direito de ir e vir, de se expressar quanto sujeito brasileiro, é isso que a realidade nos mostra? Ora, me parece que a moda de nossa atualidade é a hipocrisia, se o cidadão tivesse realmente esses direitos voltados para a sua vida social, o Jovem da Baixada Fluminense seria ouvido pela sociedade e não alvo de notícias deturpadoras e sensacionalistas.
O que me parece é que a Lei voltada aos direitos existe como um conto de fadas, produzido pela Disney, tudo é tão belo, tão lindo e no final tudo acaba bem. Muitas ONg's, instituições jurídicas dizem que a liberdade de escolha, de ir e vir é direito de todos mas, as forças fantasmas, opressoras da sociedade fazem ou tentam fazer com que esses jovens não se sintam libertos para exercer tão função.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A Mídia e o Jovem da Baixada Fluminense.

"A mídia apresenta uma imagem ideal do jovem, com atributos de beleza, saúde e alegria. Esse padrão corresponde perfeitamente ao perfil do jovem de camadas médias. Há, no entanto, uma outra juventude, pobre, que na retórica da mídia, passa a ser representada como delinquente, drogada e criminosa. O discurso sobre esses jovens, moradores das periferias ou favelas, pelos meios de comunicação, está associado frequentemente à questão da marginalidade. Dessa forma, os meios de comunicação, que muitas vezes têm a função de denunciar situações de desrespeito aos diretos de cidadania, também contribuem para a construção e manutenção dos estereótipos negativos dos jovens pobres, trantando-os como "criminógenos". ( MINAYO, p. 19).

R.L. Esta sem dúvida é uma grande problemática da modernidade, visto que a mídia através do poder do discurso e dos recursos tecnologicos na propagação de imagens, focaliza muitas das vezes os aspectos negativos de uma região ou de uma população, sendo estes fatores determinantes para o aumento significativo da exclusão social e da discriminação. Portanto, um jovem pobre não deixa de ser simplesmente jovem devido a sua condição socioeconômica, assim ao se querer separar as características dos jovens ricos dos jovens pobres, criam-se as segregações sociais.

Referência Bibliográfica:

MINAYO,M.C.S. Fala galera: juventude,violência e cidadania na cidade do Rio de Janeiro. RJ: Gamamond,1999.

domingo, 6 de abril de 2008

Juventude

Juventude Brasileira e Democracia: participação , esferas e políticas públicas

"... Sem dúvida, a "juventude" é apenas uma palavra (Bourdieu, 1983) caso não se busque compreendê-la como categoria em permanente construção social e histórica, incorporando a complexibilidade da vida - em suas dimensões biológicas, sociais, psíquicas, culturais, políticos, e conômicas etc. - que organizam as múltiplas maneiras de viver a condição juvenil." p.7

V. L Proporcionar voz e oportunidades de compreensão ao jovem, é ou deveria ser um dever de todos e da sociedade. Estigmatizar, ou classificar alguém ou algum grupo é desenvolver a alienação e o preconceito. Esses jovens, possuem características únicas e muito abrangentes, características essas que muitas das vezes são mascaradas por pressões mais "poderosas" da sociedade.

"... Em grande medida, as generalizações sobre a "apatia juvenil" são agravadas peloa insuficiência das pesquisas que permitam com alguma precisão apreender e interpretar as situações pelas quais os (as) jovens, em diferentes contextos e condições econômicas e sociais, expressam processos de recusa, impossibilidades ou mesmo apontam para novas práticas de participação de solidariedade e conflito que já praticam ou com as quais aceitaram se envolver." p.9

segunda-feira, 31 de março de 2008

Mãe Menininha do Gantois - Parte II

"A sensibilidade política da mãe-de-santo manifestava-se no jeito peculiar de contornar as dificuldades sem afrontá-las. Sempre ganhou com a diplomacia, com as alianças que estabeleceu através da amizade e de sua imensa capacidade de usar o prestígio com sensibilidade e tato. Inteligente, bem formada, não abriu mão nem deixou de lutar para manter viva a própria cultura, sabendo que nela residia sua força, identidade e universo." [p. 110]

"Prevendo uma provável e paulatina descaracterização do candomblé como tradição dos afro-descendentes, e temendo a possibilidade de seu patrimônio cultural passar de mão, ser cooptado, Menininha costumava alertar os filhos mais relapsos em suas obrigações dizendo "que ainda chegaria o dia em que haveria mais brancos do que pretos dentro das casas de candomblé"." [p. 159]

"Firme e tranquila, Menininha enfrentava a curiosidade ingênua de alguns ou a insistência de outros mais ousados mantendo-os, diplomaticamente, à distância. Comentou a respeito: "Para entender esse candomblé de linha pura, é preciso você frequentar, estudar muito. Isso não é uma coisa de brincadeira para curioso"." [p. 185]

domingo, 30 de março de 2008

Juventude

MINAYO, M. C. S. et al. Fala galera: juventude, violência e cidadania na Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond, 1999

" ... Cabe dizer que pensar o jovem, nos dias de hoje, implica tornar relevantes seus espaços, suas idéias e práticas. Implica sobretudo considerá-los como atores com os quais é possível e necessário estabelecer uma relação entre diálogos, construindo espaços que permitam e favoreçam a formulação de soluções aos seus problemas - que, em última instância, são também os nossos problemas, são questões de toda a sociedade." p. 8

V.L Toda essa idéia negativa construída sobre o jovem deste a décadas atrás, nos parece cada vez mais um pouco defasada. Mesmo que, essas idéias ainda persistem em nossa sociedade, percebemos a cada instante, a cada pesquisa realizada sobre o jovem, um outro olhar sobre a importância do mesmo em expor seu conteúdo. Visto que, o jovem é a continuidade de caminhos futuros.


" ... As várias formas de violência estão arraigadas não só nas relações interpessoais, mas também nas intituições sociais (família, escola, meios de comunicação, organizações), e até mesmo nos diferentes grupos de jovens que se aglutinam em função de características semelhantes, em que reproduzem e rearfirmam a discriminação e solidariedade." p. 14

V.L A sociedade ao longo de muitos anos vem construindo uma imagem negativa sobre a Baixada. Imagem está, que está vinculada a violência do local e de seus moradores. Mas será que a sociedade também não está desenvolvendo uma certa violência, ao estigimatizar o lugar e seus habitantes dele? Quando não possuímos uma criticidade e nos tornamos sujeitos alienados, entramos, num único caminho um único olhar.

domingo, 16 de março de 2008

Juventude

DAYRELL, Juares. O jovem como sujeito social. Rev. Bras. Educ. n. 24 Rio de Janeiro set./ dez.2003


" Construir uma noção de juventude na perspectiva da diversidade implica, em primeiro lugar, considerá-la não mais presa a critérios rígidos, mas sim como parte de um processo de crescimento mais totalizantes, que ganha contornos específicos no conjunto das experiências vivenciadas pelos indivíduos no seu contexto social..." p. 4

"Dessa discussão, entendemos a juventude com parte de um processo mais amplo de constituição de sujeitos, mas que tem especificidades que marcam a vida de cada um. A juventude constitui um momento determinado, mas não se reduz a uma passagem; ela assuma uma importância em si mesma. Todo esse processo é influenciado pelo meio social concreto no qual se desenvolve e pela qualidade das trocas que este proporciona..." p.4


V.L O que podemos perceber é que existem uma ídeia de juventude global, e uma outra voltada a ídeia de juventudes. Cada jovem, possuiu sua singularidade e especificidade com a qual, deve ser respeitada e ouvida. Toda essa construção subjetiva, está acoplada em torno de um meio social, meio este que constrói e influencia comportamentos, visões, características...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Mídia

Vivemos em um mundo intensivamente midiatizado, o que metaforicamente pode-se chamar a “idade da mídia”. No entanto deve-se ter certa criticidade frente às informações vinculadas pela mídia, pois ela exerce um modo persuasivo de transmitir conteúdos que visa fazer com que as pessoas acreditem e se mantenham presas às ideologias que são disseminadas de forma subliminar. Assim, instaura-se um senso comum acerca da Baixada, sendo este uma forma de violência indireta (latente), que se perpetua de maneira intensa por décadas.
V.L Podemos dizer que a alienação é o estado perfeito ao qual, interessa a mídia especulativa. Pois, a alienação cega a criticidade e faz com que, vivemos numa sociedade sem discussão.Perpetuando a falta de idéias e a subimissão de pensamentos impostos por meios de transmissão.

Mídia

Obs. Na postagem anterior eu esqueci de colocar a referência bibliográfica da citação.


JEUDY, H. P. Pesquisador dos processos mediáticos. FAPERJ. (Org). Seminário Mídia e Violência Urbana. Rio de Janeiro: FAPERJ, 1994.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Juventude

LEON, Alessandro Ponde de; TORRES, Igor Sant’Ana. Políticas Públicas de juventude: uma proposta para a sociedade. Brasília, D.F.: Instituto Teotônio, 2001. 79 p.

" A história não está escrita, ela está sendo escrita e os jovens não são meros espectadores dessa história, mas seus agentes... O futuro começa agora ele se chama Juventude." Franco Montoro p. 37

V.L O jovem ao longo de muito tempo, vem sendo estereotipado como ruim, precursor das mazelas da sociedade. Dessa forma, não se abre "espaço" para suas falas e considerações, ocorrendo a concepção de que suas idéias não são construtivas para os problemas encontrados em seu meio. Mas, o que podemos perceber é que por mais que tenham idéias pré – formadas sobre o jovem, eles vêm criando resistência e expondo seus pensamentos e anseios.

EL: Esta ligação dos jovens com os distúrbios da sociedade, estabelecida pela autora como a partir dos anos 20, é uma percepção mal formulada dos movimentos que o jovem causa na sociedade; movimentos de transformação tidos como transgressão, como subversão da ordem estabelecida. Eu penso que podemos destacar como exemplos desses movimentos conhecidos do século XX a Revolução Sexual, o Movimento Hippie, a liberação feminina com a pílula anticoncepcional; e atualmente, podemos citar a Cultura Hip Hop.

LD: Os esteriótipos construídos ao longo da história da juventude foram corroborados com teorias psicológicas que apontam a adolescência como uma fase crítica em que os indivíduos manifestam a turbulência pela qual passam: seu corpo, seus pensamentos e seus desejos. Este modo de enterder os sujeitos prende-se ao comportamento fossilizado do jovem como rebelde, questionador, indolente..., não o reconhecendo como criativo, produtivo e participante ativo de seu processo de desenvolvimento e de outros indivíduos com quem se relaciona.


GONÇALVES, Hebe Signorini. Juventude brasileira, entre a tradição e a modernidade. Tempo soc. V.17 n.2 São Paulo nov. 2005

"Associados aos comportamentos disfuncionais, as pulsões da juventude tornaram-se foco da assepsia social que queria o controle e a correção dos vícios, e nesse percurso as ciências reforçaram ao longo dos anos percepção de que boa parte das mazelas sociais poderia ser creditada na conta da juventude e de seus anseios de diferenciação..." p.2
" O vínculo entre juventude e criminalidade, estabelecido pelo funcionalismo nos anos de 1920, pode ser identificada ainda hoje em textos que falam da modernidade, da globalização e da violência na vida das metrópoles, propugnando um modelo de controle da criminalidade pautado pela atenção aos pequenos delitos e a jovens transgressores ..."
p. 2-3


V.L Um lugar que é estigmatizado como violento, caracterizará o jovem morador desse lugar como um dos fatores atuantes para o desenvolvimento dessa violência. Esse pensamento já é facilitado ao jovem que vem sendo taxado há muito tempo, por vários vieses como delinquente.
Para que possamos perceber que o funcionalismo realmente existe e está presente atualmente, temos o exemplo do jovem da Baixada Fluminense. Porém, todas as características pertencentes a um jovem comum, são perfeitamente encontradas nesse jovem .

LD: Os estigmas criados para lugares ou pessoas combinam com a perspectiva discriminatória em relação a indivíduos ou regiões que não obedecem a um padrão estabelecido como "verdadeiro" para um julgamento que se pretende coletivo, quando de fato, se configura como individualista e excludente. É preciso estar atento a caracterizações que não levam em conta as especificidaes locais ou pessoais, sob pena de cometer atos desrespeitosos às singulares que demonstram a riqueza da diferença.


SCHMIDT, João Pedro. Juventude e política no Brasil: a socialização política dos jovens na virada do milênio. Santa Cruz do Sul, EDUNISC, 2001

" Anne Muxel reforça tal argumento, ao afirmar que pelo fato de os jovens serem "espelho e reflexo" da sociedade e ao mesmo tempo "antecipação do futuro", o estado de saúde de um sistema político e de uma organização social depende do diagnóstico da relação jovens com a política. (Muxel, 1997 p.151) " p. 181

V.L Não se tem como separar um indivíduo do social ambos estão simultaneamente concectados. Logo, todas as considerações sobre um determinado meio são as mesmas para os que dela constituem. Dessa forma, o jovem percebe e vê os problemas contidos em seu meio e são eles que vão planejar "estratégias" para uma melhor solução de um futuro.

LD: Esta concepção de que o futuro está nas mãos dos jovens só reforça a importância de termos que muní-los de informações que favoreçam às transformações, pois, caso contrário, eles também repetirão a insensatez que vem nos acometendo atualmente, principalmente no âmbito das representações políticas do país. Sendo assim, o papel da Educação é crucial, desde que ela ofereça a chance de o jovem se perceber como um cidadão e reconhecer em si mesmo suas potencialidades para contribuir socialmente de formas mais justas.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Mídia

"A notícia reforça normas sociais estabelecidas, diminui o tempo de reação e dá ilusão de participação ao espectador. O Processo de construção de notícias, portanto, homogeiniza o conteúdo, padroniza o público, cria esteriótipos e forma mito". (p. 92)

De acordo com Jeudy (1994), no processo mediático, em seu conjunto, há uma vertigem de imagens que se transformam em “imagens acontecimentos”, não funcionando mais como um “espelho da sociedade”. Desta forma, na mídia a imagem não é representação e nem realidade, a imagem representa apenas a si mesma, assim não deve se entendida como algo a ser generalizado.

Mãe Menininha do Gantois - Parte I

ECHEVERRIA, R. e NÓBREGA, C. Mãe Menininha do Gantois. Salvador: Corrupio; Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.


"Protegida por uma rígida lei do silêncio, praticada no passado como se fosse crime e perseguida pela polícia, o religião dos negros chegou ao Brasil para fazer história. Uniu escravos e descendentes espalhados pelo país com a força da fé e a obediência irrestrita aos líderes espirituais, substitutos da família dispersa e do governo que não era o deles. O povo da África no Brasil encontrou no candomblé identidade, proteção e apoio, um espaço próprio onde foi possível plantar os fundamentos de seus deuses."[pág. 14]


"No candomblé, aprende-se fazendo junto, aprende-se observando, aprende-se cumprindo obrigações.
O filho ou filha-de-santo começa o aprendizado no terreiro na mais simples condição, no mais baixo grau e sem qualquer poder, pois nada sabe ainda. Seu caminho começa numa escala de total submissão. Os mais novos são totalmente dependentes dos mais velhos, cuja missão é ensiná-los e prepará-los. [...] No candomblé, parte-se do princípio de que se um indivíduo aprende a obedecer certamente saberá mandar."[pág. 15]

EL: A hierarquia que se estabelece nos Terreiros, passa muito mais pela linha do respeito aos ancestrais e o que eles têm a ensinar que pelo poder, sem deixar de ser uma relação permeada pelo afeto.

LD: Eu diria que o poder é uma carcterística que pertence ao homem e o acompanha em qualquer situação. A diferença que o Candomblé oferece é que este poder encontra-se distribuído pelos Orixás de modo singular, ou seja, cada representação ancestral ou espiritual é responsável de modo igualitário por fenômenos da natureza e valores encontrados nas relações humanas. Este modo diferenciado de conceber a religião, reflete diretamente na maneira de se perceber o mundo e interfere nas relações com os outros. Neste sentido, os mais antigos são respeitados por suas experiências e sabedoria construída ao longo da vida.


"Orixás, vonduns e inquices constituem uma legião de entidades que, como aquelas cultuadas na Antiguidade, expressam sentimentos e paixões semelhantes às dos seres humanos. Bons e maus. A seus seguidores é permitido viver da mesma forma que os deuses e, fundamentalmente, sem culpa. Não existem no candomblé conceitos de pecado e redenção da forma como eles se apresentam nas religiões ditas reveladas, como a cristã, a judaica e a muçulmana."[pág. 25]

LD: A inexistência do pecado traz uma outra configuração religiosa para os adeptos, porque não exige um martírio ou algo punitivo a que o sujeito tenha que se submeter para a expiação da culpa. Ao contrário, a comunicação é direta como o Orixá que deve ser cuidado por quem crê nele: alimentado e louvado com dança e música para que sua energia atinja a todos.

"Como todos os escravos eram obrigatoriamente batizados na Igreja Católica ao chegar ao Brasil, seus donos e senhores permitiam que falassem a língua nativa entre eles e praticassem a própria religião, na certeza de que o batismo, em si, garantiria a conversão de todos ao catolicismo. Entretanto, ao fingir que aceitavam as práticas cristãs, os escravos camuflavam suas verdadeiras crenças sob o manto da devoção e da obediência. Nunca deixaram de cultuar suas divindades, mesmo que para isso precisassem abrigá-las numa outra identidade, como a de algum santo consagrado pela Igreja Católica."[pág. 26]

"Foram os crioulos, como eram chamados os descendentes de africanos nascidos na Bahia, e também escravos emancipados que iniciaram a organização das irmandades negras católicas sob invocação de Jesus, Nossa Senhora ou de um santo. Essas confrarias, no entanto, abrigavam outras intenções. Funcionavam como sociedades de alforria e camuflavam a implantação e realização dos cultos aos deuses africanos. Mulheres negras, principalmente as de origem nagô da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte com sede na Igreja da Barroquinha, no Centro Histórico da Cidade, foram decisivas para a expansão e consolidação do condomblé."[pág. 27]

"Deve-se à maneira de ser das antigas escravas emancipadas o sucesso da permanência de valores e tradições da cultura africana até os dias de hoje. Independentes, elas eram o verdadeiro centro da família: tudo e todos giravam em torno delas. Em sua maioria, mais ricas que os homens, viviam com companheiros e pais sucessivos de seus filhos.[...] Na cidade da Bahia marcaram presença com a força do trabalho ao ocupar ruas e mercados com seus tabuleiros de quitutes. Boas comerciantes, algumas enriqueceram e ostentaram seu sucesso cobrindo-se de jóias e vestimentas finas. Foram elas ainda que, na metade do século XIX, organizaram e dirigiram às escondidas as cerimônias religiosas africanas, conhecidas mais tarde pelo nome de Candomblé."[pág. 30]

EL: o candomblé, desde a sua fundação, pela sua origem negra (ou sabe-se lá pelo quê), sofreu uma discriminação violenta do resto da sociedade, com repressões policiais e publicações pejorativas na imprensa da época. O que, no entanto, não impediu que a religião de matriz afro-brasileira crescesse e conquistasse um sem número de iniciados, graças, em grande parte, às lideranças femininas que souberam, com muito tato e diplomacia, contornar atos discriminatórios advindos de várias esferas da sociedade. A repressão no século XIX era declarada e apoiada na alta sociedade da época, mas hoje, embora as religiões afro-brasileiras reunam uma considerável população e sejam uma expressão clara da cultura e da personalidade das pessoas, ainda se mantém idéias e atos preconceituosos, que acabam por gerar uma sociedade que não sabe reconhecer os laços que tecem a própria cultura.

LD: Além disso, tenta calar a existência de uma desigualdade étnico-racial com discursos, no mínimo, demagógicos de que o Brasil é um país miscigenado, na tentativa de encobrir ações discriminatórias que, em pleno século XXI, ainda permeiam atitudes sociais e pessoais em relação à contribuição cultural advinda da religião de matriz afro-brasileira.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Negro no Brasil de Hoje

GOMES, Nilma Lino e MUNANGA, Kebengele. O Negro no Brasil de Hoje. São Paulo: Global, 2006. - (Coleção para entender).



"Todos os africanos levados para o Brasil o foram através da rota transatlântica, envolvendo povos de três regiões geográficas:
a)África Ocidental, de onde foram trazidos homens e mulheres dos atuais Senegal, Mali, Níger, Nigéria, Gana, Togo, Benin, Costa do Marfim, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné, Camarões;
b)África Centro-Ocidental, envolvendo povos do Gabão, Angola, República do Congo, República Democrática do Congo (antigo Zaire), república Centro-Africana;
c)África Austral, envolvendo povos de Moçambique, da África do Sul e da Namíbia.
Na literatura e outros textos sobre o assunto, diz-se geralmente que os africanos escravizados no Brasil foram trazidos do litoral da Angola, do litoral de Moçambique e do golfo de Benin, de onde embarcaram rumo ao Brasil. Mas, de fato, teriam vindo do interior das áreas citadas e de outros países e grupos étnicos, cuja documentação foi em grande parte queimada sob as ordens de Rui Brabosa, ministro das relações exteriores do Brasil."(pág. 20)

EL: devemos então fazer a relação de que, embora os documentos que comprovavam as origens dos africanos traficados para o Brasil tenham sido executados, os traços das culturas destes diferentes povos são percebidos nos cultos afro-brasileiros, que variam as tradições e costumes de acordo com os povos de origem.

"O tráfico negreiro instalou-se na África a partir de uma intervenção externa, árabe e ocidental, que ultrapassou o próprio continente. Por isso, não podemos aceitar a tese de um sistema escravista africano que justificaria e legitimaria as formas de escravidão que deram origem às primeiras separações e deportações de africanos historicamente conhecidas. Sem dúvida, alguns dirigentes africanos dos séculos XVI-XIX entraram nesses circuitos de tráfico humano como fornecedores da mercadoria humana num mercado internacional sobre o qual não tinham nenhum controle. Alguns se enriqueceram, tornando seus reinos bem potentes e armados com a ajuda dos traficantes estrangeiros, para garantir o fornecimento regular da mercadoria através de capturas pela guerra." (pág. 27)

"Após a Conferência de Berlim (1885) que definiu a partilha colonial da África entre os países europeus interessados em explorar política e economicamente esse continente, as imagens simpáticas e tranquilizadoras começaram a sombrear. A infância inocente foi substituída pela imagem de subumanos para justificar a invasão, a manutenção dos processos de colonização e a exploração econômica no continente e para facilitar a operação de sujeição." (pág. 33)

"As mulheres tinham uma posição de destaque na concepção militar de Chaka. A história da África registra exemplos de mulheres soldados que carregavam armas e participavam diretamente dos combates. Um caso célebre é o das Amazonas no reino de Abomé. Mas no reino Zulu de Chaka, as mulheres serviam essencialmente no apoio e a organização do exército." (pág. 62)

EL.: o engajamento militar das mulheres na África reforça o traço cultural que as difere em grande parte da civilização judaico-cristã. Característica esta, que acabou espelhada no Brasil, através das lideranças femininas em quilombos e levantes de resistência.

"Nesse sentido, quilombo não significa refúgio de escravos fugidos. Tratava-se de uma reunião fraterna e livre, com laços de solidariedade e convivência resultante do esforço dos negros escravizados de resgatar liberdade e dignidade por meio da fuga do cativeiro e da organização de uma sociedade livre. Os quilombolas eram homens e mulheres que se recusavam viver sob regime da escravidão e desenvolviam ações de rebeldia e de luta contra esse sistema."(pág. 72)

EL: após a abolição da escravatura e da proclamação da república, inseridos num novo contexto, a população negra continuou a organizar movimentos de resistência em todo o cenário nacional e até os dias atuais. São algumas dessas organizações: a Revolta da Chibata, no início do século XX; a Frente Negra Brasileira, fundada em 1931; o Teatro Experimental do Negro - TEN, beneficiando o engajamento político do negro, em 1944; e o Movimento das Mulheres Negras, articulando a discussão de gênero e raça na sociedade.

"A compreensão e sensibilidade para com a história específica das mulheres negras nem sempre ocuparam a atenção do movimento negro de um modo geral e nem do movimento feminista. Isso levou as mulheres negras a questionaram a ausência da discussão do gênero articulada com a questão racial dentro do movimento feminista e do movimento negro e a iniciarem uma luta específica. É assim que começa a se organizar o movimento de mulheres negras que, hoje, conta com vários tipos de entidades, em diferentes lugares do Brasil, com tendências, concepções políticas e atuação variadas." (pág. 133)

"Compreender a tradição religiosa afro-brasileira, recontar a história do povo negor na África pré-colonial, pós-colonial e, em nosso caso específico, durante e após o regime escravista brasileiro significa compreender um passado que para muitos de nós é desconhecido. Este passado e o modo com foi construído interfere e interferirá em nossas crenças e nas formas de inserção e vivência do mundo atual, seja enquanto negros, brancos e indígenas brasileiros." (pág. 140)

"Ao estudarmos essas formas de religiosidade negras constatamos que a presença do negro na formação social do Brasil foi decisiva para dotar a cultura brasileira de um rico patrimônio religioso desdobrado em inúmeras instituições e dimensões materiais e simbólicas, sagradas e profanas, de enorme importância para a identidade do país e dua civilização."(pág. 143)

"Porque o candomblé não distingue entre o bem e o mal do modo como aprendemos com o cristianismo, ele tende a atrair também toda sorte de indivíduos que têm sido socialmente marcados e marginalizados por outras instituições religiosas e não-religiosas. Isso mostra como o candomblé aceita o mundo da rua, da prostituição, dos que já cruzaram as portas da prisão." (Reginaldo Prandi. As religiões negras no Brasil: para uma sociologia dos cultos afro-brasileiros. Revista USP. São Paulo, n. 28, p. 64-83, dez/fev. 1996.) [pág. 144]