segunda-feira, 31 de março de 2008

Mãe Menininha do Gantois - Parte II

"A sensibilidade política da mãe-de-santo manifestava-se no jeito peculiar de contornar as dificuldades sem afrontá-las. Sempre ganhou com a diplomacia, com as alianças que estabeleceu através da amizade e de sua imensa capacidade de usar o prestígio com sensibilidade e tato. Inteligente, bem formada, não abriu mão nem deixou de lutar para manter viva a própria cultura, sabendo que nela residia sua força, identidade e universo." [p. 110]

"Prevendo uma provável e paulatina descaracterização do candomblé como tradição dos afro-descendentes, e temendo a possibilidade de seu patrimônio cultural passar de mão, ser cooptado, Menininha costumava alertar os filhos mais relapsos em suas obrigações dizendo "que ainda chegaria o dia em que haveria mais brancos do que pretos dentro das casas de candomblé"." [p. 159]

"Firme e tranquila, Menininha enfrentava a curiosidade ingênua de alguns ou a insistência de outros mais ousados mantendo-os, diplomaticamente, à distância. Comentou a respeito: "Para entender esse candomblé de linha pura, é preciso você frequentar, estudar muito. Isso não é uma coisa de brincadeira para curioso"." [p. 185]

domingo, 30 de março de 2008

Juventude

MINAYO, M. C. S. et al. Fala galera: juventude, violência e cidadania na Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Garamond, 1999

" ... Cabe dizer que pensar o jovem, nos dias de hoje, implica tornar relevantes seus espaços, suas idéias e práticas. Implica sobretudo considerá-los como atores com os quais é possível e necessário estabelecer uma relação entre diálogos, construindo espaços que permitam e favoreçam a formulação de soluções aos seus problemas - que, em última instância, são também os nossos problemas, são questões de toda a sociedade." p. 8

V.L Toda essa idéia negativa construída sobre o jovem deste a décadas atrás, nos parece cada vez mais um pouco defasada. Mesmo que, essas idéias ainda persistem em nossa sociedade, percebemos a cada instante, a cada pesquisa realizada sobre o jovem, um outro olhar sobre a importância do mesmo em expor seu conteúdo. Visto que, o jovem é a continuidade de caminhos futuros.


" ... As várias formas de violência estão arraigadas não só nas relações interpessoais, mas também nas intituições sociais (família, escola, meios de comunicação, organizações), e até mesmo nos diferentes grupos de jovens que se aglutinam em função de características semelhantes, em que reproduzem e rearfirmam a discriminação e solidariedade." p. 14

V.L A sociedade ao longo de muitos anos vem construindo uma imagem negativa sobre a Baixada. Imagem está, que está vinculada a violência do local e de seus moradores. Mas será que a sociedade também não está desenvolvendo uma certa violência, ao estigimatizar o lugar e seus habitantes dele? Quando não possuímos uma criticidade e nos tornamos sujeitos alienados, entramos, num único caminho um único olhar.

domingo, 16 de março de 2008

Juventude

DAYRELL, Juares. O jovem como sujeito social. Rev. Bras. Educ. n. 24 Rio de Janeiro set./ dez.2003


" Construir uma noção de juventude na perspectiva da diversidade implica, em primeiro lugar, considerá-la não mais presa a critérios rígidos, mas sim como parte de um processo de crescimento mais totalizantes, que ganha contornos específicos no conjunto das experiências vivenciadas pelos indivíduos no seu contexto social..." p. 4

"Dessa discussão, entendemos a juventude com parte de um processo mais amplo de constituição de sujeitos, mas que tem especificidades que marcam a vida de cada um. A juventude constitui um momento determinado, mas não se reduz a uma passagem; ela assuma uma importância em si mesma. Todo esse processo é influenciado pelo meio social concreto no qual se desenvolve e pela qualidade das trocas que este proporciona..." p.4


V.L O que podemos perceber é que existem uma ídeia de juventude global, e uma outra voltada a ídeia de juventudes. Cada jovem, possuiu sua singularidade e especificidade com a qual, deve ser respeitada e ouvida. Toda essa construção subjetiva, está acoplada em torno de um meio social, meio este que constrói e influencia comportamentos, visões, características...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Mídia

Vivemos em um mundo intensivamente midiatizado, o que metaforicamente pode-se chamar a “idade da mídia”. No entanto deve-se ter certa criticidade frente às informações vinculadas pela mídia, pois ela exerce um modo persuasivo de transmitir conteúdos que visa fazer com que as pessoas acreditem e se mantenham presas às ideologias que são disseminadas de forma subliminar. Assim, instaura-se um senso comum acerca da Baixada, sendo este uma forma de violência indireta (latente), que se perpetua de maneira intensa por décadas.
V.L Podemos dizer que a alienação é o estado perfeito ao qual, interessa a mídia especulativa. Pois, a alienação cega a criticidade e faz com que, vivemos numa sociedade sem discussão.Perpetuando a falta de idéias e a subimissão de pensamentos impostos por meios de transmissão.

Mídia

Obs. Na postagem anterior eu esqueci de colocar a referência bibliográfica da citação.


JEUDY, H. P. Pesquisador dos processos mediáticos. FAPERJ. (Org). Seminário Mídia e Violência Urbana. Rio de Janeiro: FAPERJ, 1994.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Juventude

LEON, Alessandro Ponde de; TORRES, Igor Sant’Ana. Políticas Públicas de juventude: uma proposta para a sociedade. Brasília, D.F.: Instituto Teotônio, 2001. 79 p.

" A história não está escrita, ela está sendo escrita e os jovens não são meros espectadores dessa história, mas seus agentes... O futuro começa agora ele se chama Juventude." Franco Montoro p. 37

V.L O jovem ao longo de muito tempo, vem sendo estereotipado como ruim, precursor das mazelas da sociedade. Dessa forma, não se abre "espaço" para suas falas e considerações, ocorrendo a concepção de que suas idéias não são construtivas para os problemas encontrados em seu meio. Mas, o que podemos perceber é que por mais que tenham idéias pré – formadas sobre o jovem, eles vêm criando resistência e expondo seus pensamentos e anseios.

EL: Esta ligação dos jovens com os distúrbios da sociedade, estabelecida pela autora como a partir dos anos 20, é uma percepção mal formulada dos movimentos que o jovem causa na sociedade; movimentos de transformação tidos como transgressão, como subversão da ordem estabelecida. Eu penso que podemos destacar como exemplos desses movimentos conhecidos do século XX a Revolução Sexual, o Movimento Hippie, a liberação feminina com a pílula anticoncepcional; e atualmente, podemos citar a Cultura Hip Hop.

LD: Os esteriótipos construídos ao longo da história da juventude foram corroborados com teorias psicológicas que apontam a adolescência como uma fase crítica em que os indivíduos manifestam a turbulência pela qual passam: seu corpo, seus pensamentos e seus desejos. Este modo de enterder os sujeitos prende-se ao comportamento fossilizado do jovem como rebelde, questionador, indolente..., não o reconhecendo como criativo, produtivo e participante ativo de seu processo de desenvolvimento e de outros indivíduos com quem se relaciona.


GONÇALVES, Hebe Signorini. Juventude brasileira, entre a tradição e a modernidade. Tempo soc. V.17 n.2 São Paulo nov. 2005

"Associados aos comportamentos disfuncionais, as pulsões da juventude tornaram-se foco da assepsia social que queria o controle e a correção dos vícios, e nesse percurso as ciências reforçaram ao longo dos anos percepção de que boa parte das mazelas sociais poderia ser creditada na conta da juventude e de seus anseios de diferenciação..." p.2
" O vínculo entre juventude e criminalidade, estabelecido pelo funcionalismo nos anos de 1920, pode ser identificada ainda hoje em textos que falam da modernidade, da globalização e da violência na vida das metrópoles, propugnando um modelo de controle da criminalidade pautado pela atenção aos pequenos delitos e a jovens transgressores ..."
p. 2-3


V.L Um lugar que é estigmatizado como violento, caracterizará o jovem morador desse lugar como um dos fatores atuantes para o desenvolvimento dessa violência. Esse pensamento já é facilitado ao jovem que vem sendo taxado há muito tempo, por vários vieses como delinquente.
Para que possamos perceber que o funcionalismo realmente existe e está presente atualmente, temos o exemplo do jovem da Baixada Fluminense. Porém, todas as características pertencentes a um jovem comum, são perfeitamente encontradas nesse jovem .

LD: Os estigmas criados para lugares ou pessoas combinam com a perspectiva discriminatória em relação a indivíduos ou regiões que não obedecem a um padrão estabelecido como "verdadeiro" para um julgamento que se pretende coletivo, quando de fato, se configura como individualista e excludente. É preciso estar atento a caracterizações que não levam em conta as especificidaes locais ou pessoais, sob pena de cometer atos desrespeitosos às singulares que demonstram a riqueza da diferença.


SCHMIDT, João Pedro. Juventude e política no Brasil: a socialização política dos jovens na virada do milênio. Santa Cruz do Sul, EDUNISC, 2001

" Anne Muxel reforça tal argumento, ao afirmar que pelo fato de os jovens serem "espelho e reflexo" da sociedade e ao mesmo tempo "antecipação do futuro", o estado de saúde de um sistema político e de uma organização social depende do diagnóstico da relação jovens com a política. (Muxel, 1997 p.151) " p. 181

V.L Não se tem como separar um indivíduo do social ambos estão simultaneamente concectados. Logo, todas as considerações sobre um determinado meio são as mesmas para os que dela constituem. Dessa forma, o jovem percebe e vê os problemas contidos em seu meio e são eles que vão planejar "estratégias" para uma melhor solução de um futuro.

LD: Esta concepção de que o futuro está nas mãos dos jovens só reforça a importância de termos que muní-los de informações que favoreçam às transformações, pois, caso contrário, eles também repetirão a insensatez que vem nos acometendo atualmente, principalmente no âmbito das representações políticas do país. Sendo assim, o papel da Educação é crucial, desde que ela ofereça a chance de o jovem se perceber como um cidadão e reconhecer em si mesmo suas potencialidades para contribuir socialmente de formas mais justas.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Mídia

"A notícia reforça normas sociais estabelecidas, diminui o tempo de reação e dá ilusão de participação ao espectador. O Processo de construção de notícias, portanto, homogeiniza o conteúdo, padroniza o público, cria esteriótipos e forma mito". (p. 92)

De acordo com Jeudy (1994), no processo mediático, em seu conjunto, há uma vertigem de imagens que se transformam em “imagens acontecimentos”, não funcionando mais como um “espelho da sociedade”. Desta forma, na mídia a imagem não é representação e nem realidade, a imagem representa apenas a si mesma, assim não deve se entendida como algo a ser generalizado.

Mãe Menininha do Gantois - Parte I

ECHEVERRIA, R. e NÓBREGA, C. Mãe Menininha do Gantois. Salvador: Corrupio; Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.


"Protegida por uma rígida lei do silêncio, praticada no passado como se fosse crime e perseguida pela polícia, o religião dos negros chegou ao Brasil para fazer história. Uniu escravos e descendentes espalhados pelo país com a força da fé e a obediência irrestrita aos líderes espirituais, substitutos da família dispersa e do governo que não era o deles. O povo da África no Brasil encontrou no candomblé identidade, proteção e apoio, um espaço próprio onde foi possível plantar os fundamentos de seus deuses."[pág. 14]


"No candomblé, aprende-se fazendo junto, aprende-se observando, aprende-se cumprindo obrigações.
O filho ou filha-de-santo começa o aprendizado no terreiro na mais simples condição, no mais baixo grau e sem qualquer poder, pois nada sabe ainda. Seu caminho começa numa escala de total submissão. Os mais novos são totalmente dependentes dos mais velhos, cuja missão é ensiná-los e prepará-los. [...] No candomblé, parte-se do princípio de que se um indivíduo aprende a obedecer certamente saberá mandar."[pág. 15]

EL: A hierarquia que se estabelece nos Terreiros, passa muito mais pela linha do respeito aos ancestrais e o que eles têm a ensinar que pelo poder, sem deixar de ser uma relação permeada pelo afeto.

LD: Eu diria que o poder é uma carcterística que pertence ao homem e o acompanha em qualquer situação. A diferença que o Candomblé oferece é que este poder encontra-se distribuído pelos Orixás de modo singular, ou seja, cada representação ancestral ou espiritual é responsável de modo igualitário por fenômenos da natureza e valores encontrados nas relações humanas. Este modo diferenciado de conceber a religião, reflete diretamente na maneira de se perceber o mundo e interfere nas relações com os outros. Neste sentido, os mais antigos são respeitados por suas experiências e sabedoria construída ao longo da vida.


"Orixás, vonduns e inquices constituem uma legião de entidades que, como aquelas cultuadas na Antiguidade, expressam sentimentos e paixões semelhantes às dos seres humanos. Bons e maus. A seus seguidores é permitido viver da mesma forma que os deuses e, fundamentalmente, sem culpa. Não existem no candomblé conceitos de pecado e redenção da forma como eles se apresentam nas religiões ditas reveladas, como a cristã, a judaica e a muçulmana."[pág. 25]

LD: A inexistência do pecado traz uma outra configuração religiosa para os adeptos, porque não exige um martírio ou algo punitivo a que o sujeito tenha que se submeter para a expiação da culpa. Ao contrário, a comunicação é direta como o Orixá que deve ser cuidado por quem crê nele: alimentado e louvado com dança e música para que sua energia atinja a todos.

"Como todos os escravos eram obrigatoriamente batizados na Igreja Católica ao chegar ao Brasil, seus donos e senhores permitiam que falassem a língua nativa entre eles e praticassem a própria religião, na certeza de que o batismo, em si, garantiria a conversão de todos ao catolicismo. Entretanto, ao fingir que aceitavam as práticas cristãs, os escravos camuflavam suas verdadeiras crenças sob o manto da devoção e da obediência. Nunca deixaram de cultuar suas divindades, mesmo que para isso precisassem abrigá-las numa outra identidade, como a de algum santo consagrado pela Igreja Católica."[pág. 26]

"Foram os crioulos, como eram chamados os descendentes de africanos nascidos na Bahia, e também escravos emancipados que iniciaram a organização das irmandades negras católicas sob invocação de Jesus, Nossa Senhora ou de um santo. Essas confrarias, no entanto, abrigavam outras intenções. Funcionavam como sociedades de alforria e camuflavam a implantação e realização dos cultos aos deuses africanos. Mulheres negras, principalmente as de origem nagô da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte com sede na Igreja da Barroquinha, no Centro Histórico da Cidade, foram decisivas para a expansão e consolidação do condomblé."[pág. 27]

"Deve-se à maneira de ser das antigas escravas emancipadas o sucesso da permanência de valores e tradições da cultura africana até os dias de hoje. Independentes, elas eram o verdadeiro centro da família: tudo e todos giravam em torno delas. Em sua maioria, mais ricas que os homens, viviam com companheiros e pais sucessivos de seus filhos.[...] Na cidade da Bahia marcaram presença com a força do trabalho ao ocupar ruas e mercados com seus tabuleiros de quitutes. Boas comerciantes, algumas enriqueceram e ostentaram seu sucesso cobrindo-se de jóias e vestimentas finas. Foram elas ainda que, na metade do século XIX, organizaram e dirigiram às escondidas as cerimônias religiosas africanas, conhecidas mais tarde pelo nome de Candomblé."[pág. 30]

EL: o candomblé, desde a sua fundação, pela sua origem negra (ou sabe-se lá pelo quê), sofreu uma discriminação violenta do resto da sociedade, com repressões policiais e publicações pejorativas na imprensa da época. O que, no entanto, não impediu que a religião de matriz afro-brasileira crescesse e conquistasse um sem número de iniciados, graças, em grande parte, às lideranças femininas que souberam, com muito tato e diplomacia, contornar atos discriminatórios advindos de várias esferas da sociedade. A repressão no século XIX era declarada e apoiada na alta sociedade da época, mas hoje, embora as religiões afro-brasileiras reunam uma considerável população e sejam uma expressão clara da cultura e da personalidade das pessoas, ainda se mantém idéias e atos preconceituosos, que acabam por gerar uma sociedade que não sabe reconhecer os laços que tecem a própria cultura.

LD: Além disso, tenta calar a existência de uma desigualdade étnico-racial com discursos, no mínimo, demagógicos de que o Brasil é um país miscigenado, na tentativa de encobrir ações discriminatórias que, em pleno século XXI, ainda permeiam atitudes sociais e pessoais em relação à contribuição cultural advinda da religião de matriz afro-brasileira.