segunda-feira, 31 de março de 2008

Mãe Menininha do Gantois - Parte II

"A sensibilidade política da mãe-de-santo manifestava-se no jeito peculiar de contornar as dificuldades sem afrontá-las. Sempre ganhou com a diplomacia, com as alianças que estabeleceu através da amizade e de sua imensa capacidade de usar o prestígio com sensibilidade e tato. Inteligente, bem formada, não abriu mão nem deixou de lutar para manter viva a própria cultura, sabendo que nela residia sua força, identidade e universo." [p. 110]

"Prevendo uma provável e paulatina descaracterização do candomblé como tradição dos afro-descendentes, e temendo a possibilidade de seu patrimônio cultural passar de mão, ser cooptado, Menininha costumava alertar os filhos mais relapsos em suas obrigações dizendo "que ainda chegaria o dia em que haveria mais brancos do que pretos dentro das casas de candomblé"." [p. 159]

"Firme e tranquila, Menininha enfrentava a curiosidade ingênua de alguns ou a insistência de outros mais ousados mantendo-os, diplomaticamente, à distância. Comentou a respeito: "Para entender esse candomblé de linha pura, é preciso você frequentar, estudar muito. Isso não é uma coisa de brincadeira para curioso"." [p. 185]

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