sábado, 28 de junho de 2008

Juventude

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à ´prática edeucativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

" A ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta noundo. Com ares de pós - modernidade, insiste em convercernos de que nada podemos contra a realidade socialque de histórica e cultural, passa a ser ou a virar "quase natural". Frases como "a realidade é assim mesmo, que podemos fazer?" ou "o desemprego no mundo é uma fatalidade do fim do século" expressam bem o fatalismo desta ideologia e sua indiscutível vontade imobilizadora." (FREIRE, 1996, P. 19 - 20)

V.L Atualmente, vivemos num mundo onde se tem por intenção mascarar caminhos que alienam, que destorcem a realidade. Pois, como a sociedade sendo manipulada pelas mãos de poderosos conseguiria se manter no poder com cidadãos críticos, autônomos? Ou seja, pessoas que lutam pelos seus direitos, por uma igualdade justa e não utópica não são metas ao qual, nosso sistema deseja alcançar. Dessa forma, a fatalidade é o principal viés para que a classe menos favorecida e subordinada as pressões de seu meio, não se oponham e aceitem de maneira passiva o preconceito, a discriminação. Dentro de alguns exemplos, podemos citar o jovem.
A juventude é uma amostra perfeita, para esse virar "quase antural" pois, acreditar no não reconhecimento do jovem como potencializador, independente é pensar que o mesmo, é rebelde e o adoslescente se torna o "aborrecente" quando apontado pela família, professores.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Xirê! O modo de crer e de viver no camdomblé

AMARAL, R. Xirê! O modo de crer e de viver no camdomblé. Rio de Janeiro: Pallas, São Paulo: Educ, 2002.

Mídia

R.L. O processo de midiatização traz novas abordagens no que se refere à construção de identidades e culturas. A sociedade contemporânea está imersa em um espaço midiatizado, envolta pelas novas tecnologias. Assim, com a propagação das esferas virtuais, a comunicação deixa de ser centralizada e unidirecional "passagem da comunicação de massa" e passa a ser transformada pelas redes digitais, a internet "comunicação virtual". Portanto, as mídias através dos discursos e dos aparatos tecnológicos, vão produzindo novos sentidos sociais.

Resta ainda a crítica a impessoalidade e superficialidade nas relações sociais urbanas. Para entender esse aspecto é preciso dar conta de quem é e como vive o habitante da cidade. É possível dizer que ele se define pela experiência resultante de sua atuação nas várias esferas da vida social: no trabalho, na família, na escola, na rede de vizinhança, nas associações religiosas e de lazer, nas instituições políticas, etc. (AMARAL, 2002, p. 16-17).

Assim tais características multidimensionais dos sujeitos sociais, são representadas pelas mídias, existindo uma relação de proximidade e de identificação dos leitores e dos espectadores, por isso na construção de notícias há a necessidade de ressaltar nos fatos particularidades do cotidiano das pessoas.
No entanto, tais informações não favorecem um olhar crítico, pelo contrário tendem a formatar sujeitos, gostos e comportamentos. Desta forma na sociedade contemporânea as relações sociais são compreendidas de maneira superficial e efêmero.


Educação

D.M. O sujeito é constituído com valores familiares, religiosos, sociológicos, antropológicos, históricos, biológicos, enfim, Vygotsky diz que o sujeito é uma teia de interações, e é essa teia que o homem da cidade é construído e o processo de moldá-lo é através da educação.
A escola tem (ou deveria ter) o intuito de viabilizar e direcionar os sujeitos às práticas sociais, mas ela também traz o intuito, como diria Foucault, de controlar, classificar e naturalizar certos conceitos, formando o homem utilitário que a cidade precisa.
A escola através do seu discurso nomeia, demarca, estigmatiza, hierarquiza, ou seja, ela privilegia marcando a diferença do outro. Como o negro e todo seu processo histórico de luta e de religiosidade não é transmitido de maneira sincera e verídica. A escola não dar conta do pluralismo existente porque não é de interesse, estar reavisando o processo histórico do negro no Brasil.
Portanto, com as idas ao terreiro e das entrevistas realizadas, fica clara a noção de grupo que o texto expressa. Assim, a partir das perspectivas de Rey a respeito da subjetividade social e individual, o sujeito atua em várias instâncias da sociedade e ele se configurará em seus respectivos grupos. A religião afro-brasileira tem seu espaço próprio, vestimenta, comidas típicas todo um significado de coisas que caracteriza esse grupo e ao mesmo tempo são trabalhadores, estudantes, assim sendo, convivem em outros grupos sociais.
Esses grupos se encontram também nas escolas, mas normalmente eles não são percebidos porque a escola propõe um currículo, onde a ideologia e a cultura do cotidiano escolar reproduz as relações de poder.
Nas entrevistas realizadas fica evidente o preconceito quanto a religião afro-brasileira, o que faz com que o jovem omita sua religião, isso porque a escola através de seus conteúdos cristalizados e do discurso utilizado favorece as desigualdades e pontua as diferenças.
Uma fala dos entrevistados chama a atenção que “no candomblé se ensina regras de vida”, Amaral quando aborda os estilos de vida, fala de uma vivência de mundo, de estilo, de escolhas, de regras diferente da judaico-cristã a qual é predominante nas instituições educacionais, o que faz com que esses jovens não sejam reconhecidos e identificados.
A cultura afro-brasileira tem toda uma filosofia de vida a partir dos mitos, possibilitando uma dinâmica educativa que gera conhecimento e aprendizado. E é nesse estilo de vida que se tem noção de respeito, comunidade, do lidar com a natureza e sua postura ética.
Não é preciso ser da religião para ver as possibilidades de compreensão de mundo. Basta apenas estar disposto a conhecê-los e apreciá-los, um mundo colorido, mágico e sensual que a África oferece.

Mulher

EL.: Ao Candomblé (e demais religiões de matriz afro-brasileira), entendido aqui como um grupo com características próprias e que, ainda assim, compartilham experiências em outros grupos, compreende um certo poder aglutinador, que une o "povo de santo" porque atravessa muitas esferas da vida do sujeito, o que culmina num corte que o divide em antes e depois do candomblé. Essa força que junta os sujeitos em uma comunidade com um estilo próprio de vida vem, em grande parte, das mãos da mulher negra que soube receber e cuidar de indivíduos quaisquer que chegavam aos terreiros, aonde é chefe, pollítica, mãe, educadora, cozinheira e sacerdotisa, entre outros.

"Os terreiros de candomblé, independentemente de sua filiação ou localização, recebem pessoas que são integradas à religião e à sua hierarquia por meio do processo de iniciação (que é particular e individualizado), o qual vincula os adeptos pelo "parentesco mítico" da "família de santo"" (AMARAL, 2002, p. 25)

A figura da mãe-de-santo, a mãe que acolhe e dá apoio aos seus filhos - todos os integrantes da família de santo - é também provida de autoridade e respeito, o que envolve a comunidade numa esfera afetiva que os liga de maneira concreta à religião afro-brasileira (a afetividade, que está intrínsecamente presente nas escolhas feitas por estes indivíduos) e que, acaba ligando os adeptos à religião aos diversos âmbitos que lhe são característicos, como vestuário, lugares frequentados ou vocabulário. A mulher é tida então, como a veia condutora de todo esse processo, pois conduz os sujeitos na aquisição do estilo de vida do candomblé; não somente na figura da mãe-de-santo, pois a mulher habita diversos outros espaços dentro do terreiro, como cozinheira ou ekéde*, por exemplo. Em todos esses outros espaços, a mulher representa ainda uma "mãe" para um iniciado, pois no candomblé, se respeita a ancestralidade e assim, o tempo de iniciado é o que define a hierarquia dentro do terreiro.
Sendo assim, devemos destacar que o papel da mulher dentro de um terreiro e da feminilidade dentro da mitologia africana, de forma geral, são fatores constitutivos da cultura afro-brasileira e portanto, movimentos complexos da sociedade que devem ser levados em consideração.

*
Ekéde: Ebômim do sexo feminino que não incorpora orixá. Ela tem como função auxiliar o orixá, dançar com ele, vestí-lo, enxugar seu suor durante a dança (por isso que trazem sempre uma toalha no ombro), etc. Geralmente é escolhida pelo próprio orixá incorporado, numa festa pública.

domingo, 15 de junho de 2008

Educação e Identidade Negra




BRITO, Â. M. B. B. de; CORREIA, R. L. L. S. ; SANTANA, M. M. (Org.). Kulé-Kulé: Educação e Identidade Negra. Maceió: Edufal, 2004.


“Pensar a relação entre educação e identidade negra nos desfia a construir, juntos, uma pedagogia da diversidade, além de nos aproximarmos do universo simbólico e material que é a cultura, somos desafiados a encarar as questões políticas. Torna-se imprescindível afirmar que, durante anos, a sociedade brasileira e a escola distorceram e ocultaram a real participação do negro na produção histórica, econômica e cultural do Brasil, e, sobretudo, questionar os motivos de tal distorção e de tal ocultação”. (p. 13)

D.M.: A escola é um lugar onde os discursos produzidos reforçam as desigualdades sociais e culturais. Tanto nos conteúdos de história e nos livros didáticos são exemplos claros, de que o negro é visto, é falado e transmitido apenas como escravo, ele não se reconhece e não se identifica porque o seu processo histórico de luta, de cultura e de conquistas não é citado. É aí que a escola reforça sua diferença mantendo o preconceito e a exclusão.

sábado, 14 de junho de 2008

Juventude

DAYRELL, Juarez. A escola "faz" as juventudes? Reflexões em torno da socialização juvenil. Educ. Soc., Out. 2007, vol. 28, n. 100, p. 1105 - 1128. ISSN 0101-7330

" ... Assim existe uma dupla dimensão presente quando falamos em condição juvenil. Refere-se ao modo como uma sociedade constitui e atribui significado a esse momento do ciclo da vida, no contexto de uma dimensão histórico - geracional, mas também à sua situação, ou seja, o modo como tal condição é vivida a partir dos diversos recortes referidos às diferenças sociais - classe, gênero, etnia etc." p. 2

V.L. O jovem da Baixada Fluminense, fazendo parte de um grupo mais amplo, possui sua "condição juvenil" que, pelo processo histórico é visto como delinquente social e alienado. Mas, que frente à seu meio social é uma pessoa comum que erra, acerta, possui anseios, medos como qualquer outro ser, que se defronta com essa sociedade massificadora e excludente.




" Todavia, com todos os limites dados pelo lugar social que ocupam, não podemos esquecer o aparente óbvio: eles são jovens, amam, sofrem, divertem-se, pensam a respeito das suas condições e de suas experiências de vida, posicionam-se diante dela, possuem desejos e propostas de melhorias de vida ..." p. 3


V.L. O que é óbvio para uns, não são para outros e nisso inclui esse aparente óbvio apresentado pelo autor Dayrell, devemos ter cautela ao determinar algo. Pois, se fosse tão trivial aceitar esse pensamento do jovem com essas características de meros mortais, não existiria forças que tentam a todo momento conduzir cada vez mais, a massa para a certeza de que esses jovens são "sementes do mal", por mais que saibamos da capacidade dessa juventude de estabelecer metas construtivas para a sua vida.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A pesquisa na Bahia sobre os afro-brasileiros

A pesquisa na Bahia sobre os afro-brasileiros
Entrevista de Waldir Freitas Oliveira
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000100012

"Mas, naquela ocasião, aconteceu a descolonização, a transformação das colônias africanas em países independentes e ganharam relevo a negritude e o movimento black nos Estados Unidos. O negro baiano começou a sentir-se como um grupo, que passou a ter orgulho da sua condição de negro, mas também a se considerar espoliado pela sociedade branca do passado. Foi quando começou a ganhar força, na Bahia, um preconceito às avessas, um preconceito do preto contra o branco, chegando a se pôr em questão a legitimidade de um branco, como eu, ser o diretor do CEAO. Achavam que, por ser ele uma instituição de estudos africanistas, deveria ser dirigida por um negro.

A criação dos grupos carnavalescos
ESTUDOS AVANÇADOS – Professor, em que ano foi fundado o Centro?
Waldir Freitas de Oliveira – Em 1959 e fui diretor do CEAO de 1961 a 1972. Em 1972 já havia essa insatisfação do preto contra o branco. Logo depois começaram a surgir na Bahia grupos carnavalescos exclusivamente de negros. E foi por meio do carnaval que essa intolerância negra contra o branco se fortaleceu, pois surgiram blocos que não aceitavam a inclusão de elementos brancos. Lembrando, no entanto, que antes disso era comum, em Salvador, a existência de
blocos de brancos que não aceitavam negros. Na opinião desses novos blocos negros, eles deveriam ser exclusivamente de negros, por desejarem mostrar que o negro é capaz de fazer, sozinho, alguma coisa tão importante quanto o branco. Queriam, assim, também, valorizar sua própria cultura e rejeitar uma outra que lhes havia sido imposta.
ESTUDOS AVANÇADOS – Esse comportamento continua atualmente?
Waldir Freitas Oliveira – Esses blocos continuam rejeitando a presença dos brancos, afirmando que existe um carnaval negro, independente do carnaval baiano. Mas Os Filhos de Gandhi é, no entanto, um clube no qual nunca houve, de modo declarado, esse preconceito, porque dele participam, até hoje, brancos e pretos. Todavia, essa não é a posição do Ilê Ayê, do Malê Debalê ou do Olodum. Este último, contudo, recentemente, mudou um pouco essa prática, porque descobriu um caminho comercial novo, com menos intransigência, para vender seu
produto. A partir desse viés comercial, passaram a admitir também elementos brancos nas suas fileiras, porque se não os aceitassem, estariam perdendo mercado. Mas o Ilê Aiê e um outro bloco, o Malê Debalê, não sei se alguns outros mais, não admitem a presença de brancos nas suas fileiras. Justificam essa atitude dizendo que estão valorizando seu passado cultural. Com isso passou a existir, na Bahia, talvez como no passado, um carnaval essencialmente negro, como elemento isolado dentro do conjunto do carnaval baiano. Esse preconceito do negro contra o branco encontra, naturalmente, defensores que agora caminham no sentido de apoiar a tese da reparação, a exigirem que a sociedade brasileira pague à população negra atual os prejuízos sofridos pelos negros no passado."

EL.: Vimos então, que, assim como o preconceito ao negro, existe ainda um movimento contrário que é o preconceito do negro com o branco, constituído também sócio-históricamente, nos contextos das lutas pelos interesses dos negros. Entretanto, esta é uma postura equivocada que devemos evitar, pois alimenta a manutenção dos preconceitos, ao invés de combatê-los.