
BERNARDO, T. Negras, mulheres e mãe: lembranças de Olga de Alaketu. SãoPaulo: EDUC; Rio de Janeiro: Pallas, 2003.
"Na realidade, um dos elementos fundantes da etnicidade é a memória coletiva. Dessa forma, a identidade étnica não aponta para o passado, pois a memória movimenta-se de acordo com o seu tempo reversível. Mais precisamente, a reversibilidade da memória se traduz pela chamada do presente, ida ao passado, retorno ao presente. Assim, se a memória coletiva é viva, a etnicidade também o é, pois se encontra em constante movimentação, apontando para o fututo, como quer Fischer (1986)." [p. 17]
"Na realidade, um dos elementos fundantes da etnicidade é a memória coletiva. Dessa forma, a identidade étnica não aponta para o passado, pois a memória movimenta-se de acordo com o seu tempo reversível. Mais precisamente, a reversibilidade da memória se traduz pela chamada do presente, ida ao passado, retorno ao presente. Assim, se a memória coletiva é viva, a etnicidade também o é, pois se encontra em constante movimentação, apontando para o fututo, como quer Fischer (1986)." [p. 17]
EL.: Neste contexto, a memória foi e continua sendo um elemento importante na manutenção da cultura africana no Brasil, pois é ela que traz o pertencimento com a etnicidade e é representada muito fortemente através dos mitos. Os mitos traduzem essas memórias porque podem ser contados através do tempo, e incitam um retorno às tradições, mas sem sair do presente.
"No entanto, outros fatores socioculturais-econômicos além da tradição oral parecem ser responsáveis pela importância atribuída pela mulher negra à sua memória, especialmente, quando uma delas diz: "Ah! Eu tenho muitas coisas para te contar, a minha vida sempre foi cheia de coisas boas, ruins, importantes... lembro de tudo. Eu que fiz tudo!" (Mulher negra, 70 anos, costureira, 2000)" [p. 33]
"No entanto, outros fatores socioculturais-econômicos além da tradição oral parecem ser responsáveis pela importância atribuída pela mulher negra à sua memória, especialmente, quando uma delas diz: "Ah! Eu tenho muitas coisas para te contar, a minha vida sempre foi cheia de coisas boas, ruins, importantes... lembro de tudo. Eu que fiz tudo!" (Mulher negra, 70 anos, costureira, 2000)" [p. 33]
EL.: Podemos dizer que a memória, a tradição oral é característica da mulher negra pois ela é e foi autora de suas ações e teve autonomia na sua trajetória; o que percebemos na fala "eu fiz tudo". Diferentemente da mulher branca que apenas viveu submetida aos espaços do homem e com funções à ela impostas.
"É no solo brasileiro que frutificará o candomblé, a terra-mãe como metáfora para os africanos e seus descendentes. Se o candomblé representa a terra-mãe, que, por sua vez, possui os seus significados ligados ao feminino, essa expressão religiosa, ao representá-la, ganha todas as suas significações. É nesse sentido que a grande sacerdotisa do candomblé é chamada de mãe-de-santo." [p. 52]
"Todas essas mudanças são possíveis, também, porque Iansã representa o vento (ar) e tem origem na água. Segundo Mircea Eliade, as águas simbolizam a estabilidade das virtualidades, a matriz de todas as possibilidades da existência. Da mesma forma, entende-se o ar. Nessa perspectiva é que se pode compreender as diferentes formas que Iansã assume, referidas aos diferentes papéis que a mulher negra teve que desempenhar ao longo da sua história, na África e no Brasil, para vencer os obstáculos existentes, para assegurar a manutenção de seu povo." [p. 74]
"Sem dúvida nenhuma, Iroco tem uma raiz tão imensa e tão forte que emociona vê-la. Essa força, que propicia solidez sobre a terra, parece ter a ver com a cultura africana, cujos elementos movimentam-se na subterraneidade das comunidades afetivas, nas redes informais, para não morrer, para permanecer viva." [p. 78]
"É no solo brasileiro que frutificará o candomblé, a terra-mãe como metáfora para os africanos e seus descendentes. Se o candomblé representa a terra-mãe, que, por sua vez, possui os seus significados ligados ao feminino, essa expressão religiosa, ao representá-la, ganha todas as suas significações. É nesse sentido que a grande sacerdotisa do candomblé é chamada de mãe-de-santo." [p. 52]
"Todas essas mudanças são possíveis, também, porque Iansã representa o vento (ar) e tem origem na água. Segundo Mircea Eliade, as águas simbolizam a estabilidade das virtualidades, a matriz de todas as possibilidades da existência. Da mesma forma, entende-se o ar. Nessa perspectiva é que se pode compreender as diferentes formas que Iansã assume, referidas aos diferentes papéis que a mulher negra teve que desempenhar ao longo da sua história, na África e no Brasil, para vencer os obstáculos existentes, para assegurar a manutenção de seu povo." [p. 74]
"Sem dúvida nenhuma, Iroco tem uma raiz tão imensa e tão forte que emociona vê-la. Essa força, que propicia solidez sobre a terra, parece ter a ver com a cultura africana, cujos elementos movimentam-se na subterraneidade das comunidades afetivas, nas redes informais, para não morrer, para permanecer viva." [p. 78]
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