terça-feira, 11 de agosto de 2009

Irê Ayó: mitos afro-brasileiros



OXUM NA ORGANIZAÇÃO DO MUNDO



Era uma vez, no princípio do mundo, Olodumaré mandou todos os orixás para organizarem a terra. Os homens faziam reuniões e mais reuniões. Somente os homens, as mulheres não eram convidadas. Aliás as mulheres foram proibidas de participar da organização do mundo. Deste modo nos dias e horas marcadas, os homens deixaram em casa as suas mulheres e saiam para tomar as providências indicadas por Olodumaré.

As mulheres não gostaram de ficar de lado. Contrariadas foram conversar com Oxum. Oxum era conhecida como uma Iyalodé. Iyalodé é um título da pessoa mais importante entre as mulheres do lugar.

Na verdade parece que os homens tinham esquecido do poder de Oxum sobre a água doce. E sem a água doce, com certeza, a vida na terra seria impossível.

Oxum já estava aborrecida com esta desconsideração dos homens. Afinal ela não poderia de forma alguma ficar longe das deliberações para o crescimento das coisas da terra. Ela sabia de tudo que estava acontecendo. Era preciso compreender que todos são importantes para construção do mundo.

Procurada por suas companheiras, conversaram durante muito tempo e por fim a Iyalodé comunicou: - De hoje em diante, vamos mostrar o nosso protesto para os homens. Vamos chamar atenção, porque somos todos responsáveis pela construção do mundo. Enquanto não formos consideradas, vamos parar o mundo!

Parar o mundo? O que significa isto? Perguntaram as mulheres curiosas.

De hoje em diante, falou Oxum, até que os homens venham conversar conosco, estamos todas impedidas de parir. Também as árvores não vão mais dar frutos, nem as plantas vão florescer, nem crescer. Isto foi dito e isto aconteceu.

Aquela foi uma reunião nuito forte. A decisão foi acatada por todas as mulheres. E os resultados foram imediatos. Os planos que os homens faziam, começaram a se perder sem nenhum efeito.

Desesperados, os homens se dirigiam a Olodumaré e explicaram como as coisas iam mal sobre a terra. As decisões tomadas nas assembleias não davam certo de forma nenhuma.

Olodumaré ficou surpreso com as más notícias. Depois de meditar por alguns instantes perguntou:

Vocês estão fazendo tudo como eu mandei? Oxum está participando destas reuniões? Os homens responderam: - Veja senhor, estamos fazendo tudo “direitinho” como o senhor mandou. Agora, este negócio de mulher participando de nossas reuniões... Isto aí, a gente não fez assim não. Coisa de homem, tem que ser separado de coisa de mulher.

Olodumaré falou forte?

Não é possível. Oxum é o orixá da fecundidade. É quem faz desenvolver tudo o que é criado. Sem Oxum o que é criado não tem como progredir. Por exemplo, vocês já viram alguma coisa plantada crescer sem água doce?

Os homens voltaram correndo para a terra e cuidaram logo de corrigir aquela grande falha. Quando chegaram à casa de Oxum, ela já esperava na porta, fazendo jeito de quem não sabia o que estava acontecendo. Aí os homens foram chegando e dizendo:

Agô nilê! (com licença).

Omo nilê ni ka agô (filho da casa não pede licença). (p. 69)

Deste jeito os convidou a entrar em sua casa. Conversaram muito para convencer a Oxum. Eles pediam que ela participasse imediatamente dos seus trabalhos de organização da terra. Depois que ela se fez bem de rogada, aceitou o convite.

Não tardou e tudo mudou como por encanto. Oxum derramou-se em água pelo mundo. A terrra molhada reviveu. As mulheres voltaram a parir. Tudo floresceu e os planos dos homens conseguiram felizes resultados. Daí por diante, cada vez que terminava uma assembleia, homens e mulheres cantavam e dançavam com muita alegria, comemorando o reencontro e suas possíveis realizações: Araketu ê Faraimará.

“O mito integra a criança numa época atemporal e aponta para o que está por trás do ritual e da literatura. O mito ensina a vida sem prescrever nenhuma norma de conduta específica. O mito está sempre apontado para a liberdade de escolhas. Ter metas, projetos de vida, passa pelo crescimento de estar atento para todas as possibilidades de ser-sendo. De modo que as experiências de vida possam sair do plano puramente físico e tenham a ressonância no interior do nosso ser e de nossa realidade mais interna. Importante é que sintamos o prazer de sermos diferentes, sem sermos inferiores. A escola ao restituir, a auto-estima e a identidade ao afrodescendente estará a caminho da reparação para a cidadania participativa e para a paz.” (p. 26)


“A tradição religiosa e cultural afro-brasileira apóia-se na oralidade. E os mitos são as estruturas e a rede de sustentação comunitária e espiritual de um povo (povo de santo). O trabalho com mitos, não é um trabalho isolado do processo de ensino aprendizagem. Considerando-os, deste modo, a tradição cultural vivenciada no terreiro, ou noutra comunidade de matriz africana, proporcionam aos seus participantes um apoio indispensável, também, para a sua vida como cidadão. O mito de Oxum na cosntrução do mundo, anuncia atitudes libertárias ensejando possibilidades de convivência e organização para uma vida.” (p. 26)



D.M. Pensar em uma “pedagogia nagô” é pensar em um saber dinâmico e participativo onde sua postura não é a de imitar e sim se dá na construção diária, ritualística e simbólica que ocorre no terreiro. Com isso suas vivências estão carregados de princípios e valores da cultura afro-brasileira que são transmitidos do mais velho para o mais novo através da oralidade, seja ela pelos cânticos ou contos. O mito por sua vez vem carregado dessa sabedoria cotidiana que proporciona o filho de santo uma nova visão de ser e estar no mundo que abrange o convívio social entre homem e natureza.

No entento, a escola com seu currículo prescritivo não permite os alunos conhecerem elementos da cultura afro-brasileira que legitima o discurso hegemônico, pautado nas políticas de embranquecimento que fortalecem as desigualdades sociais e raciais. Tais conteúdos também possibilitam uma cristalização de conceitos onde o aluno não expõe seus pensamentos e dificilmente levará para sua vida social, salvo assuntos específicos que envolverá sua futura carreira acadêmica (lembrando que vale apenas para uma pequena parcela da sociedade), logo, a escola se preocupa em formar um cidadão para o mercado de trabalho.

Tais conteúdos também não possibilitam uma interação social de convívio igualitário, assim, não aplicáveis no seu cotidiano, pois a meritocracia pregada nas instituições de ensino prevalecem na vida do indivíduo, ou seja, há uma concorrência onde o melhor aluno terá, possivelmente, um futuro brilhante. Estas questões são mais importantes do que a interação da vida em sociedade.

Olhar o mito no cotidiano escolar é de suma importância, por proporcionar novos valores e quebra de preconceitos; e por por vir sempre or meio da contextualizaçaõ. Portanto sua forma dinâmica e alegre torna-se um grande facilitador do ensino-aprendizagem. O mito por vir carregado de sentimentos e significados possibilita a convivência, a solidariedade e ainda desvela a origem do povo brasileiro, permitindo assim um novo olhar e caminhos para transformação do pensamento.

Além do mais, o mito insere o indivíduo emocional e intelectual no sistema de vivência da comunidade, proporcionando motivação e norteamento da vida, relacionando assim a sua própria natureza e o mundo no qual ele faz parte.

Com o mito de Oxum dentro da escola pode-se trabalhar um novo modelo de valorização de gênero, onde a mulher tem um papel fundamental para a construção e manutenção do mundo. Seus princípios promovem a cidadania que estão pautadas na democracia, na justiça, na igualdade, na equidade e na participação ativa de todos os membros da sociedade e nas decisões sobre seus rumos. Dessa maneira, o mito deixa claro que homens e mulheres têm direitos e deveres a cumprir e que perpassam tanto na vida política quanto na vida pública. Neste sentido, a mulher pode ser considerada, feminina-mulher-mãe e o de ser agente social, econômico e político. Uma mulher participativa, trabalhadora e que quer contribuir para a evolução dos tempos, como um ser humano que pensa, têm forças e que é “útil” à sociedade.

Outro princípio abordado pelo mito é o de convivência. A mulher tem o papel primordial porque traz o princípio básico da vida. Traz em si a condição natural de geração e manutenção da vida, os princípios dos cuidados, da criatividade e da cooperação, no entanto, seus direitos estão distorcidos e desiguasiguais, visto que o mundo atual agride diretamente essa mulher que na comunidade do terreiro é o esteio para a educação de seus membros, manutenção e organização da comunidade. É imprescindível observar a mulher pelo lado de sua integração na sociedade, conquistando espaço e ajudando a construir um mundo sem discriminação, onde homens e mulheres se completam na busca de um bem-estar conjunto, todos numa só união. E este é uns dos princípios de convivencia que o mito de Oxum busca ressaltar.

Em suma, olhar o mito afro-brasileiro nas vivencias educacionais é substancial, pois mostra uma nova forma de ver o ser humano e sua relação com a natureza. Um ser dinâmico, ativo, misto, nem bom ou ruim, mas que sabe da importância de ser e estar no mundo. A lei 10.639/03 vem, por mais que de vagar, a romper com a visão esteriotipada e folclorizada que se tem sobre a história e cultura africana, que há muitos séculos foram massacrados e deturpados por uma ideologia judaico-cristão, onde o homem é dominador da mulher e da natureza.


Bibliografia:

MACHADO, V; PETROVICH, C. Irê Ayó: mitos afro-brasileiros. Salvador: EDUFBA, 2004.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Juventude

FRIGOTTO, G. CIAVATTA, M. (org). Ensino Médio: ciência, cultura e trabalho. Secretaria de Educação Média e tecnológica. Brasília : MEC, SEMTEC, 2004.

No estudo da sociedade brasileira, uma primeira observação refere-se à pluralidade de situações, vivências e aspirações enocntradas na população jovem. Para alguns analistas, não só o termo jovem deveria ser utilizado no plural, como a própria categoria juventude ... p.96

V.L O jovem ao mesmo tempo que possui suas singularidades, seus contextos são formados através de suas relações sociais com grupos, caracterizando assim a juventude de uma forma mais ampla. Ou seja, características, moldes são diversificados ao analisar as nuances que estruturam o dia - a - dia.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Exu e as relações sexuais entre europeus e brasileiras

No documentário Cinderelas, Lobos e um Prícipe Encantado, exploram-se as relações entre turistas europeus e mulheres brasileiras, na sua maioria garotas de programa. O documentáriomostra com nitidez a maneira como a maior parte desses turistas enxergam as brasileiras, como uma iguaria.
Vivendo em uma sociedade capitalista e injusta como a brasileira, muitas mulheres não encontram meios de sobrevivência e acabam prostituindo-se. As nordestinas e cariocas tem fácil acesso aos abutres europeus, que usam facilmente seu dinheiro oriundo dos países mais pobres para satisfazerem seus dejesos.
Mesmo nesse ambiente tão despreocupado com o próximo, meios para a própria subsitência devem ser imaginados, mesmo que condenados pela própria sociedade, que condena mas não os combate com a educação e a oferta de trabalho.
É nesse ambiente altamente sexualizado que entra Exu, o Orixá da fertilidade, da engenhosidade, do jeitinho brasileiro. Nesse contexto de pobreza e miséria, Exu atua como o trangressor, aquele que faz o que os outros não se atreveriam, que faz com que o impossível torne-se realidade.
Exu vive na rua, e é justamente na rua que essas mulheres encontram seus clientes, aqueles que irão garantir uma noite de sexo e uma manhã de pão para si e/ou a família. Essas mulheres que encontram-se sem o amparo do estado encontram no sexo o meio de garantir seu sustento. Sexo que tem Exu como controlador.
A manifestação feminina de Exu é a pomba-gira, que pode ser uma mulher da vida ou uma rica senhora, mas que sempre sabe manipular e satisfazer um homem. Essas mulheres que são tão desprezadas e amadas pela sociedade assemelham-se a esta figura, podendo ter a profissão para o sustento ou para o esbanjamento, como prostitutas do Pelourinho ou de grandes prostíbulos no Rio de Janeiro.
Caminhando pelas ruas percebe-se a total loucura do estado brasileiro. Cruel, frio, absurdo e que nos surpreende dia após dia com mais e mais violência. É nesse momento que percebe-se a importância de Exu e pomba-gira, que podem atuar sem medo de dar a cara a tapa, que agem enquanto os outros julgam. Que estão dispostos a quebrarem regras para cumprirem sua missão e justamente por esse lado transgressor, Exu é o Orixá que mais se aproxima do ser humano. Aquele que atende um pedido mediante uma oferenda, sendo esperto ou interesseiro, como todo ser humano.
Sendo um Orixá de constante mutação, ele tranforma as situações e faz o ´´erro`` virar ``acerto``, pisa no toco e o toco não se quebra, planta uma semente de banana às onze da noite e meia noite a semente dá galho. Conversando com um exu ou uma pomba-gira(somente na Umbanda pois no Candomblé Exu é Orixá e não fala), pode-se falar abertamente sobre qualquer questão, pois são eles que entendem a natureza humana, que vivem na rua e conhecem a pobreza, a miséria e a falta de benevolência que aflige nossa sociedade.Eles podem dar conselhos e até brigar, mas sem condenar. E é justamente a condenação a maior hipocrisia com as garotas de programa, pois elas são condenadas pela sociedade, mas não são ajudadas pela própria sociedade.

Mídia

No documentário “cinderelas, lobos e um príncipe encantado”, o produtor Joel Zito Araújo, traz à tona vivências e situações atroz de extrema miséria e violência do cotidiano de muitos brasileiros que muitas vezes passam despercebidos aos olhos da sociedade. Assim no cenário político é possível perceber pouquíssimas ações sociais que possuem verdadeiramente em seus programas iniciativas sérias e consolidadas, por essa razão tais problemáticas continuam a se perpetuar entre décadas.
Logo, os relatos demonstraram a total ineficácia e o descaso do poder público. Na verdade, as pessoas que participaram, talvez nem saibam que estivestes contribuindo com significativas discussões a partir de uma perspectiva educacional, política, econômica, histórica e mídiatica, pois seus discursos não são legitimados socialmente.
Portanto, são muitas as cenas que chamaram minha atenção, no entanto, ressalto a fala de uma mulher, que explicitou nas palavras e principalmente no olhar, uma grande vontade de um dia ter dito a oportunidade de estudar, porém a mesma demonstra desapontamento devido a todas as dificuldades que vivenciou o estudo tornou-se um sonho utópico.
Outra questão importante é referente à eugenia, onde uma etnia é representada como superior em contraposição a uma inferior. No filme, as relações assimétricas de poder aparecem de forma muito objetiva, onde os brancos europeus ou brasileiros são considerados superiores aos negros que aparecem de maneira subalterna.
Também pude perceber de forma bem concreta, os diferentes “comportamento fossilizado” dos sujeitos entrevistados, que demonstram não enfrentar a existência do racismo, desta forma não o admiti. Afinal, é o preconceito ter preconceito.
Por tudo isto, acredito que o documentário através das artes, analisa um conjunto de circunstâncias que faz com que os telespectadores possam refletir como as mulheres afro-brasileiras são representadas na mídia, onde a identidade racial tende a ser caracterizada de forma negativa, fazendo parte do imaginário social. A indústria cultural tende a reforçar simbolicamente a ideologia de branqueamento mostrando para consumo turístico, o Brasil como país da miscigenação bem-sucedida, indo de encontro com o mito de democracia racial, defendido por Gilberto Freire em seu livro Casa Grande e Senzala.

T.S.: Diante do proposto no documentário fica nítido através dos relatos dos "personagens", a falta de comprometimento e acima de tudo a inefícacia por parte dos governantes. Dentro dessa análise o descaso das autoridades com os mais necessitados serve para reforçar o abandono desse povo.
Com relação as ações propositivas mediante as políticas públicas, o que se tem na maioria das vezes, são as poucas ações realizadas que por sua vez, acabam por não se tornarem eficazes para as "pessoas atendidas" e para a comunidade como um todo. Sendo assim, as perspectivas iniciais acabam por desmorar, o que por sua vez, diminiu às contribuições nos campos políticos; filosóficos; culturais, dentre outros.
Focalizando-se ainda nas políticas públicas o que deve ficar nítido é que para os princípios básicos de desenvolvimento dos indivíduos (saúde; educação; lazer; segurança, etc), ocorram garantias tanto na questão do acesso assim como no que tange o usufruir destes.
Compreender a formulação social das cidades e das nações exige um entendimento no sentido da formulação de uma sociedade de classes e o seu "massacre" cultural, religioso, dentre outros, que nada mais é que a imposição de uma ideologia que por sua vez, presumia que o desenvolver de uma nação se dava por dizimar o outro.
Nesse sentido temos que perceber a "falsa democracia" presente no Brasil, já que, os instrumentos midiáticos e a própria sociedade fomentam a democracia racial como um evento que única e exclusivamente vislumbra reforçar a política do branqueamento.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Juventude

GONÇALVES, Hebe Signirini. Problemas da juventude e seus enfrentamentos: um estudo de representações sociais. Psicol. Soc.2008, vol.20, no.2, pp- 217-225. ISSN 0102-7182

"...Essa característica tem feito das representações sociais uma ferramenta metodológica de peso e mostra-se valiosa no estudo da juventude em vista da multiplicidade de questões que atravessam esse período da vida, multiplicidade condicionada inclusive por contingências de vida..." p. 217-218

V.L. As demandas e inquietações constituem a visão dos jovens para com os problemas apresentados em seu cotidiano, o que nos faz perceber que suas representações pessoais e socias não se caracterizam unicamente numa alienação generalizada. Pelo contrário, a subjetividade "construída" atráves de seus questionamentos fomentam uma criticidade não revelada pela sociedade, mascarando uma juventude delinquente e sem perspectivas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Filme: Cinderelas, lobos e um príncipe encantado.




O filme vai do nordeste brasileiro a Berlim, buscando entender os imaginários sexuais e raciais da jovens, que se arriscam num caminho até a Europa, para mudar de vida ou encontrar seu príncipe encantado, e que compõem uma realidade de 900 pessoas traficadas para fins de exploração sexual e 1,8 milhões de crianças vítimas de pornografia e turismo sexual.

Direção: Joel Zito Araújo


JUVENTUDE


Cena: Taxista enquanto dirigia o carro, explicava como o turismo sexual cada vez mais é "praticado" por meninas (crianças) que geralmente ficam nos sinais de trânsito a procura de um turista europeu.

V.L. Diante dos caminhos que norteiam o "ser jovem" no Brasil, discriminações e estereótipos voltados para a juventude, facilitam a criação de “válvulas de escapes”, ou seja, a inserção no turismo sexual, visando a inclusão na sociedade.
O preconceito racial e juvenil tão pertinente em nosso cotidiano, faz com que jovens meninas negras sonhem e almejam uma perspectiva de vida na Europa não alcançada em seu meio social.
EDUCAÇÃO
Cena: Mulher fala do seu sonho de fazer enfermagem, mas que já era tarde para voltar a estudar.

D.M. O filme documentário de Joel Zito aborda questões sobre o turismo sexual no Brasil, onde na maioria são mulheres negras e jovens em volto a miséria e as mazelas originárias de um sistema excludente, o que faz da prostituição uma das formas de se sobreviver no Brasil. Muitas veem seus sonhos perdidos por falta de inúmeras coisas, e uma delas é falta do que comer e de oportunidades. A mulher a quem me refiro na cena tem (ou tinha) o sonho de ser enfermeira. Almeja uma vida melhor para ela e seus familiares; quer trabalhar, educar-se! Mas se vê impedida perante a falta. observa-se aí a vontade de ir para a escola e ter uma carreira profissionalizante, desmistificando que o pobre não quer estudar. Essa visão está no imaginário brasileiro insinuadas pelos ideais de branqueamento que coloca o negro e o pobre no patamar de desinteressado seja por trabalho, seja por estudo... em fim, camuflando a questão histórica e social do ser.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

juventude

LOPES, Roseli Esquerdo et al. Juventude pobre, violência e cidadania. Saude soc., Set 2008, vol.17, no.3, p.63-76. ISSN 0104-1290

Assim, as ações existentes se tornam insuficientes, inadequadas ou ineficazes para, de fato, atender a essa população como sujeitos de direitos. Os projetos, em sua grande maioria, embora tenham vinculação com o poder público, são pontuais, dependem de financiamentos volantes e são ausentes os planejamentos em longo prazo. (RUA apud LOPES, R. E. 2008, p. 6)


V.L. As inúmeras falas espalhadas pelo nosso cotidiano afora estruturam a juventude como rebelde, improdutiva acentuando assim, a negatividade, a descrença para com a mesma. Pois bem, sabendo de tudo isso e ressaltando a dicotomia apresentada, percebemos que se idealiza um tipo de jovem, mas, não há soluções realmente eficazes que facilitem o crescimento e aprimoramento em seu meio social. Chegamos aqui, aos pilares que sustentam o nosso mundo, muita teoria para pouca prática.

juventude

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 17ª. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

... A prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogia em que oprimido tenha condições de, reflexivamente, descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica... (FIORI, E.M. apud FREIRE, 1987, p.9)

V.L. Chega a ser um ato covarde perceber que a juventude é rotulada por todos os lados e o que mais surpreende, a escola sendo o lugar onde a criticidade, a independência dos alunos deveriam ser desenvolvidas, se torna simplesmente uma cópia exata de tudo que é reproduzido no meio social. Não se tem como fugir das nuances que constituem a nossa sociedade, mas, fazer diferente e enaltecer a autonomia dos jovens, respeitá-los e torna-los atores sociais é um dever e comprometimento que a Instituição deveria perpetuar e respeitar.