segunda-feira, 16 de março de 2009

Exu e as relações sexuais entre europeus e brasileiras

No documentário Cinderelas, Lobos e um Prícipe Encantado, exploram-se as relações entre turistas europeus e mulheres brasileiras, na sua maioria garotas de programa. O documentáriomostra com nitidez a maneira como a maior parte desses turistas enxergam as brasileiras, como uma iguaria.
Vivendo em uma sociedade capitalista e injusta como a brasileira, muitas mulheres não encontram meios de sobrevivência e acabam prostituindo-se. As nordestinas e cariocas tem fácil acesso aos abutres europeus, que usam facilmente seu dinheiro oriundo dos países mais pobres para satisfazerem seus dejesos.
Mesmo nesse ambiente tão despreocupado com o próximo, meios para a própria subsitência devem ser imaginados, mesmo que condenados pela própria sociedade, que condena mas não os combate com a educação e a oferta de trabalho.
É nesse ambiente altamente sexualizado que entra Exu, o Orixá da fertilidade, da engenhosidade, do jeitinho brasileiro. Nesse contexto de pobreza e miséria, Exu atua como o trangressor, aquele que faz o que os outros não se atreveriam, que faz com que o impossível torne-se realidade.
Exu vive na rua, e é justamente na rua que essas mulheres encontram seus clientes, aqueles que irão garantir uma noite de sexo e uma manhã de pão para si e/ou a família. Essas mulheres que encontram-se sem o amparo do estado encontram no sexo o meio de garantir seu sustento. Sexo que tem Exu como controlador.
A manifestação feminina de Exu é a pomba-gira, que pode ser uma mulher da vida ou uma rica senhora, mas que sempre sabe manipular e satisfazer um homem. Essas mulheres que são tão desprezadas e amadas pela sociedade assemelham-se a esta figura, podendo ter a profissão para o sustento ou para o esbanjamento, como prostitutas do Pelourinho ou de grandes prostíbulos no Rio de Janeiro.
Caminhando pelas ruas percebe-se a total loucura do estado brasileiro. Cruel, frio, absurdo e que nos surpreende dia após dia com mais e mais violência. É nesse momento que percebe-se a importância de Exu e pomba-gira, que podem atuar sem medo de dar a cara a tapa, que agem enquanto os outros julgam. Que estão dispostos a quebrarem regras para cumprirem sua missão e justamente por esse lado transgressor, Exu é o Orixá que mais se aproxima do ser humano. Aquele que atende um pedido mediante uma oferenda, sendo esperto ou interesseiro, como todo ser humano.
Sendo um Orixá de constante mutação, ele tranforma as situações e faz o ´´erro`` virar ``acerto``, pisa no toco e o toco não se quebra, planta uma semente de banana às onze da noite e meia noite a semente dá galho. Conversando com um exu ou uma pomba-gira(somente na Umbanda pois no Candomblé Exu é Orixá e não fala), pode-se falar abertamente sobre qualquer questão, pois são eles que entendem a natureza humana, que vivem na rua e conhecem a pobreza, a miséria e a falta de benevolência que aflige nossa sociedade.Eles podem dar conselhos e até brigar, mas sem condenar. E é justamente a condenação a maior hipocrisia com as garotas de programa, pois elas são condenadas pela sociedade, mas não são ajudadas pela própria sociedade.

Mídia

No documentário “cinderelas, lobos e um príncipe encantado”, o produtor Joel Zito Araújo, traz à tona vivências e situações atroz de extrema miséria e violência do cotidiano de muitos brasileiros que muitas vezes passam despercebidos aos olhos da sociedade. Assim no cenário político é possível perceber pouquíssimas ações sociais que possuem verdadeiramente em seus programas iniciativas sérias e consolidadas, por essa razão tais problemáticas continuam a se perpetuar entre décadas.
Logo, os relatos demonstraram a total ineficácia e o descaso do poder público. Na verdade, as pessoas que participaram, talvez nem saibam que estivestes contribuindo com significativas discussões a partir de uma perspectiva educacional, política, econômica, histórica e mídiatica, pois seus discursos não são legitimados socialmente.
Portanto, são muitas as cenas que chamaram minha atenção, no entanto, ressalto a fala de uma mulher, que explicitou nas palavras e principalmente no olhar, uma grande vontade de um dia ter dito a oportunidade de estudar, porém a mesma demonstra desapontamento devido a todas as dificuldades que vivenciou o estudo tornou-se um sonho utópico.
Outra questão importante é referente à eugenia, onde uma etnia é representada como superior em contraposição a uma inferior. No filme, as relações assimétricas de poder aparecem de forma muito objetiva, onde os brancos europeus ou brasileiros são considerados superiores aos negros que aparecem de maneira subalterna.
Também pude perceber de forma bem concreta, os diferentes “comportamento fossilizado” dos sujeitos entrevistados, que demonstram não enfrentar a existência do racismo, desta forma não o admiti. Afinal, é o preconceito ter preconceito.
Por tudo isto, acredito que o documentário através das artes, analisa um conjunto de circunstâncias que faz com que os telespectadores possam refletir como as mulheres afro-brasileiras são representadas na mídia, onde a identidade racial tende a ser caracterizada de forma negativa, fazendo parte do imaginário social. A indústria cultural tende a reforçar simbolicamente a ideologia de branqueamento mostrando para consumo turístico, o Brasil como país da miscigenação bem-sucedida, indo de encontro com o mito de democracia racial, defendido por Gilberto Freire em seu livro Casa Grande e Senzala.

T.S.: Diante do proposto no documentário fica nítido através dos relatos dos "personagens", a falta de comprometimento e acima de tudo a inefícacia por parte dos governantes. Dentro dessa análise o descaso das autoridades com os mais necessitados serve para reforçar o abandono desse povo.
Com relação as ações propositivas mediante as políticas públicas, o que se tem na maioria das vezes, são as poucas ações realizadas que por sua vez, acabam por não se tornarem eficazes para as "pessoas atendidas" e para a comunidade como um todo. Sendo assim, as perspectivas iniciais acabam por desmorar, o que por sua vez, diminiu às contribuições nos campos políticos; filosóficos; culturais, dentre outros.
Focalizando-se ainda nas políticas públicas o que deve ficar nítido é que para os princípios básicos de desenvolvimento dos indivíduos (saúde; educação; lazer; segurança, etc), ocorram garantias tanto na questão do acesso assim como no que tange o usufruir destes.
Compreender a formulação social das cidades e das nações exige um entendimento no sentido da formulação de uma sociedade de classes e o seu "massacre" cultural, religioso, dentre outros, que nada mais é que a imposição de uma ideologia que por sua vez, presumia que o desenvolver de uma nação se dava por dizimar o outro.
Nesse sentido temos que perceber a "falsa democracia" presente no Brasil, já que, os instrumentos midiáticos e a própria sociedade fomentam a democracia racial como um evento que única e exclusivamente vislumbra reforçar a política do branqueamento.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Juventude

GONÇALVES, Hebe Signirini. Problemas da juventude e seus enfrentamentos: um estudo de representações sociais. Psicol. Soc.2008, vol.20, no.2, pp- 217-225. ISSN 0102-7182

"...Essa característica tem feito das representações sociais uma ferramenta metodológica de peso e mostra-se valiosa no estudo da juventude em vista da multiplicidade de questões que atravessam esse período da vida, multiplicidade condicionada inclusive por contingências de vida..." p. 217-218

V.L. As demandas e inquietações constituem a visão dos jovens para com os problemas apresentados em seu cotidiano, o que nos faz perceber que suas representações pessoais e socias não se caracterizam unicamente numa alienação generalizada. Pelo contrário, a subjetividade "construída" atráves de seus questionamentos fomentam uma criticidade não revelada pela sociedade, mascarando uma juventude delinquente e sem perspectivas.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Filme: Cinderelas, lobos e um príncipe encantado.




O filme vai do nordeste brasileiro a Berlim, buscando entender os imaginários sexuais e raciais da jovens, que se arriscam num caminho até a Europa, para mudar de vida ou encontrar seu príncipe encantado, e que compõem uma realidade de 900 pessoas traficadas para fins de exploração sexual e 1,8 milhões de crianças vítimas de pornografia e turismo sexual.

Direção: Joel Zito Araújo


JUVENTUDE


Cena: Taxista enquanto dirigia o carro, explicava como o turismo sexual cada vez mais é "praticado" por meninas (crianças) que geralmente ficam nos sinais de trânsito a procura de um turista europeu.

V.L. Diante dos caminhos que norteiam o "ser jovem" no Brasil, discriminações e estereótipos voltados para a juventude, facilitam a criação de “válvulas de escapes”, ou seja, a inserção no turismo sexual, visando a inclusão na sociedade.
O preconceito racial e juvenil tão pertinente em nosso cotidiano, faz com que jovens meninas negras sonhem e almejam uma perspectiva de vida na Europa não alcançada em seu meio social.
EDUCAÇÃO
Cena: Mulher fala do seu sonho de fazer enfermagem, mas que já era tarde para voltar a estudar.

D.M. O filme documentário de Joel Zito aborda questões sobre o turismo sexual no Brasil, onde na maioria são mulheres negras e jovens em volto a miséria e as mazelas originárias de um sistema excludente, o que faz da prostituição uma das formas de se sobreviver no Brasil. Muitas veem seus sonhos perdidos por falta de inúmeras coisas, e uma delas é falta do que comer e de oportunidades. A mulher a quem me refiro na cena tem (ou tinha) o sonho de ser enfermeira. Almeja uma vida melhor para ela e seus familiares; quer trabalhar, educar-se! Mas se vê impedida perante a falta. observa-se aí a vontade de ir para a escola e ter uma carreira profissionalizante, desmistificando que o pobre não quer estudar. Essa visão está no imaginário brasileiro insinuadas pelos ideais de branqueamento que coloca o negro e o pobre no patamar de desinteressado seja por trabalho, seja por estudo... em fim, camuflando a questão histórica e social do ser.