segunda-feira, 16 de março de 2009

Mídia

No documentário “cinderelas, lobos e um príncipe encantado”, o produtor Joel Zito Araújo, traz à tona vivências e situações atroz de extrema miséria e violência do cotidiano de muitos brasileiros que muitas vezes passam despercebidos aos olhos da sociedade. Assim no cenário político é possível perceber pouquíssimas ações sociais que possuem verdadeiramente em seus programas iniciativas sérias e consolidadas, por essa razão tais problemáticas continuam a se perpetuar entre décadas.
Logo, os relatos demonstraram a total ineficácia e o descaso do poder público. Na verdade, as pessoas que participaram, talvez nem saibam que estivestes contribuindo com significativas discussões a partir de uma perspectiva educacional, política, econômica, histórica e mídiatica, pois seus discursos não são legitimados socialmente.
Portanto, são muitas as cenas que chamaram minha atenção, no entanto, ressalto a fala de uma mulher, que explicitou nas palavras e principalmente no olhar, uma grande vontade de um dia ter dito a oportunidade de estudar, porém a mesma demonstra desapontamento devido a todas as dificuldades que vivenciou o estudo tornou-se um sonho utópico.
Outra questão importante é referente à eugenia, onde uma etnia é representada como superior em contraposição a uma inferior. No filme, as relações assimétricas de poder aparecem de forma muito objetiva, onde os brancos europeus ou brasileiros são considerados superiores aos negros que aparecem de maneira subalterna.
Também pude perceber de forma bem concreta, os diferentes “comportamento fossilizado” dos sujeitos entrevistados, que demonstram não enfrentar a existência do racismo, desta forma não o admiti. Afinal, é o preconceito ter preconceito.
Por tudo isto, acredito que o documentário através das artes, analisa um conjunto de circunstâncias que faz com que os telespectadores possam refletir como as mulheres afro-brasileiras são representadas na mídia, onde a identidade racial tende a ser caracterizada de forma negativa, fazendo parte do imaginário social. A indústria cultural tende a reforçar simbolicamente a ideologia de branqueamento mostrando para consumo turístico, o Brasil como país da miscigenação bem-sucedida, indo de encontro com o mito de democracia racial, defendido por Gilberto Freire em seu livro Casa Grande e Senzala.

T.S.: Diante do proposto no documentário fica nítido através dos relatos dos "personagens", a falta de comprometimento e acima de tudo a inefícacia por parte dos governantes. Dentro dessa análise o descaso das autoridades com os mais necessitados serve para reforçar o abandono desse povo.
Com relação as ações propositivas mediante as políticas públicas, o que se tem na maioria das vezes, são as poucas ações realizadas que por sua vez, acabam por não se tornarem eficazes para as "pessoas atendidas" e para a comunidade como um todo. Sendo assim, as perspectivas iniciais acabam por desmorar, o que por sua vez, diminiu às contribuições nos campos políticos; filosóficos; culturais, dentre outros.
Focalizando-se ainda nas políticas públicas o que deve ficar nítido é que para os princípios básicos de desenvolvimento dos indivíduos (saúde; educação; lazer; segurança, etc), ocorram garantias tanto na questão do acesso assim como no que tange o usufruir destes.
Compreender a formulação social das cidades e das nações exige um entendimento no sentido da formulação de uma sociedade de classes e o seu "massacre" cultural, religioso, dentre outros, que nada mais é que a imposição de uma ideologia que por sua vez, presumia que o desenvolver de uma nação se dava por dizimar o outro.
Nesse sentido temos que perceber a "falsa democracia" presente no Brasil, já que, os instrumentos midiáticos e a própria sociedade fomentam a democracia racial como um evento que única e exclusivamente vislumbra reforçar a política do branqueamento.

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