Destaques de textos que abordam as diferentes temáticas afrobrasileiras e são comentados pelos membros do grupo de pesquisa Desafios Contextuais e Subjetividade, integrado ao Laboratório de Estudos Afrobrasileiros (LEAFRO/NEABi/UFRRJ); cujo objetivo refere-se à criação de um banco de referências bibliográficas a serem utilizadas em estudos nesta área.
terça-feira, 22 de junho de 2010
CONDURU, Roberto. Arte afro-brasileira. Estética e arte nas religiões afro-brasileiras. Belo Horizonte: C / Arte, 2007. p. 25.
A.L. Interessante refletir, a partir desse fragmento, todos os processos de aculturação e reinvenção sofridas pelas religiões afrobrasileiras e pelas demais formas de expressão do povo negro no Brasil. A marginalização levou assim ao sincretismo, ao uso de vestimentas europeias nos cultos, porém esta mesma marginalização fortalece os atos de afirmação das suas características, dando a cultura afrobrasileira em geral, um aspecto único de solidez e flexibilidade.
Sólida ao se manter tradicional, com formas muito singulares de grupo social, das relações hieráticas, das iniciações, dos rituais e assentamentos, de uma estética que lembra o tribal. Mas flexível ao incorporar entidades brasileiras, a figura do caboclo, o índio de pele vermelha assumindo o lugar de oxósse nos terreiros de umbanda, e o exu, malandro e endiabrado, se apropriando do imaginário judaico cristão para ser cultuado.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
A instituição e o menor infrator
GOMIDE, Paula Inez Cunha. A instituição e a identidade do menor infrator. Psicol. cienc. prof., 1988, vol.8, no.1, p.20-22. ISSN 1414-9893.
"Como se pode preparar para a reintegração na sociedade jovens que não têm direito à criatividade, à individualidade, ao questionamento das regras, à liberdade de escolha e que são forçados ao convívio com outros jovens da mesma origem — abandonados — que têm as mesmas características físicas, quanto ao modo de vestir, de andar, de cheirar, de falar. Como reeducá-lo, se ao institucionalizarmos o jovem, enfatizamos ainda mais o seu pertencimento a este grupo social, marginalizado, e não oferecemos a ele alternativas viáveis para a sua inserção em um outro grupo, não marginalizado, diferente deste." (p. 21)
"as instituições têm favorecido o desenvolvimento da Identidade do Menor Infrator, através da aquisição e fortalecimento de características físicas próprias deste grupo social e do desenvolvimento de hábitos importantes para a sobrevivência do grupo. Tanto o processo de Criminalização quanto o da Prisonização levam o menor a assumir a responsabilidade pelo seu destino, ou seja, ele se aceita como mau elemento e abandonado e, portanto, entende que nada há para ser feito; ele torna-se imediatista — perdendo perspectivas de futuro — e hedonista — onde o que importa é o prazer imediato." (p.21)
T.O. A partir da minha experiência cotidiana com estes jovens, estes fragmentos retirados do texto se encaixam exatamente na realidade deles. Conversando com eles nós percebemos a falta de perspectiva de vida, se acham incapazes, já internalizaram esta identidade de mau elemento. Muitos têm reincidência na instituição. Para nós que olhamos de fora achamos que eles que não tem força de vontade, mas observando todo esse sistema que os impulsiona para continuarem na mesma vida, vemos que eles precisam de ajuda quando saem da instituição. Eles tinham que sair e já serem encaminhados para algum emprego ou curso profissionalizante, pois muitos daqueles jovens sustentam uma família, logo eles precisam ter uma renda e se não tiverem oportunidades no mercado de trabalho acabam voltando para a vida do dinheiro fácil e sem esforço. Tinha que haver uma instituição parceira as Casas de Detenção para que houvessem a inserção destes jovens na sociedade de forma mais ampla e eficaz para evitar a reincidêndia destes numa instituição de menores em conflito com a lei.