quarta-feira, 12 de março de 2008

Juventude

LEON, Alessandro Ponde de; TORRES, Igor Sant’Ana. Políticas Públicas de juventude: uma proposta para a sociedade. Brasília, D.F.: Instituto Teotônio, 2001. 79 p.

" A história não está escrita, ela está sendo escrita e os jovens não são meros espectadores dessa história, mas seus agentes... O futuro começa agora ele se chama Juventude." Franco Montoro p. 37

V.L O jovem ao longo de muito tempo, vem sendo estereotipado como ruim, precursor das mazelas da sociedade. Dessa forma, não se abre "espaço" para suas falas e considerações, ocorrendo a concepção de que suas idéias não são construtivas para os problemas encontrados em seu meio. Mas, o que podemos perceber é que por mais que tenham idéias pré – formadas sobre o jovem, eles vêm criando resistência e expondo seus pensamentos e anseios.

EL: Esta ligação dos jovens com os distúrbios da sociedade, estabelecida pela autora como a partir dos anos 20, é uma percepção mal formulada dos movimentos que o jovem causa na sociedade; movimentos de transformação tidos como transgressão, como subversão da ordem estabelecida. Eu penso que podemos destacar como exemplos desses movimentos conhecidos do século XX a Revolução Sexual, o Movimento Hippie, a liberação feminina com a pílula anticoncepcional; e atualmente, podemos citar a Cultura Hip Hop.

LD: Os esteriótipos construídos ao longo da história da juventude foram corroborados com teorias psicológicas que apontam a adolescência como uma fase crítica em que os indivíduos manifestam a turbulência pela qual passam: seu corpo, seus pensamentos e seus desejos. Este modo de enterder os sujeitos prende-se ao comportamento fossilizado do jovem como rebelde, questionador, indolente..., não o reconhecendo como criativo, produtivo e participante ativo de seu processo de desenvolvimento e de outros indivíduos com quem se relaciona.


GONÇALVES, Hebe Signorini. Juventude brasileira, entre a tradição e a modernidade. Tempo soc. V.17 n.2 São Paulo nov. 2005

"Associados aos comportamentos disfuncionais, as pulsões da juventude tornaram-se foco da assepsia social que queria o controle e a correção dos vícios, e nesse percurso as ciências reforçaram ao longo dos anos percepção de que boa parte das mazelas sociais poderia ser creditada na conta da juventude e de seus anseios de diferenciação..." p.2
" O vínculo entre juventude e criminalidade, estabelecido pelo funcionalismo nos anos de 1920, pode ser identificada ainda hoje em textos que falam da modernidade, da globalização e da violência na vida das metrópoles, propugnando um modelo de controle da criminalidade pautado pela atenção aos pequenos delitos e a jovens transgressores ..."
p. 2-3


V.L Um lugar que é estigmatizado como violento, caracterizará o jovem morador desse lugar como um dos fatores atuantes para o desenvolvimento dessa violência. Esse pensamento já é facilitado ao jovem que vem sendo taxado há muito tempo, por vários vieses como delinquente.
Para que possamos perceber que o funcionalismo realmente existe e está presente atualmente, temos o exemplo do jovem da Baixada Fluminense. Porém, todas as características pertencentes a um jovem comum, são perfeitamente encontradas nesse jovem .

LD: Os estigmas criados para lugares ou pessoas combinam com a perspectiva discriminatória em relação a indivíduos ou regiões que não obedecem a um padrão estabelecido como "verdadeiro" para um julgamento que se pretende coletivo, quando de fato, se configura como individualista e excludente. É preciso estar atento a caracterizações que não levam em conta as especificidaes locais ou pessoais, sob pena de cometer atos desrespeitosos às singulares que demonstram a riqueza da diferença.


SCHMIDT, João Pedro. Juventude e política no Brasil: a socialização política dos jovens na virada do milênio. Santa Cruz do Sul, EDUNISC, 2001

" Anne Muxel reforça tal argumento, ao afirmar que pelo fato de os jovens serem "espelho e reflexo" da sociedade e ao mesmo tempo "antecipação do futuro", o estado de saúde de um sistema político e de uma organização social depende do diagnóstico da relação jovens com a política. (Muxel, 1997 p.151) " p. 181

V.L Não se tem como separar um indivíduo do social ambos estão simultaneamente concectados. Logo, todas as considerações sobre um determinado meio são as mesmas para os que dela constituem. Dessa forma, o jovem percebe e vê os problemas contidos em seu meio e são eles que vão planejar "estratégias" para uma melhor solução de um futuro.

LD: Esta concepção de que o futuro está nas mãos dos jovens só reforça a importância de termos que muní-los de informações que favoreçam às transformações, pois, caso contrário, eles também repetirão a insensatez que vem nos acometendo atualmente, principalmente no âmbito das representações políticas do país. Sendo assim, o papel da Educação é crucial, desde que ela ofereça a chance de o jovem se perceber como um cidadão e reconhecer em si mesmo suas potencialidades para contribuir socialmente de formas mais justas.

Um comentário:

Renata Machado disse...

R.M Historicamente foi se criando uma imagem pré-concebida de juventude. E várias conotações de forma pejorativas foram surgindo, e passou-se a classificar os jovens como indecisos, rebeldes, incoerentes, ou simplesmente como aqueles que estão vivenciando uma fase transitória de suas vidas.
Desta forma é interessante à questão de até aonde uma representação pode vir a ser retrato da realidade. Ou seja, ao se padronizar um conceito de juventude criam-se modelos, esteriótipos e mitos, sendo muitos deles frutos de um equivocado senso comum.